Londrina - Londrina já tem uma Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac). A entidade teve estatuto aprovado na última semana com a eleição de 26 pessoas, a maioria integrantes de entidades assistenciais e civis organizadas. A criação da entidade pode viabilizar o segundo presídio semiaberto da cidade - o Centro de Ressocialização Social (Creslon) foi criado neste semestre com 120 vagas.
A Apac, cujo modelo de gestão social é voltado para a valorização humana, é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e existe em 112 países. No Brasil, a metodologia foi difundida em Minas Gerais e já existe em vários estados. Na Apac, o detento, pertencente a um grupo considerado de menor risco, cumpre ritos diários que contemplem escolarização, profissionalização, trabalho, integração social, religião, assistência e voluntariado. A coordenação da unidade é feita pelos próprios presos e não existe guarda armada na unidade e tão pouco vigilância externa.
O índice de recuperação nas Apacs chega a 91%. O dos presídios comuns é de 15%. Outro fato que chama a atenção é a redução dos gastos públicos: enquanto um preso custa quatro salários mínimos por mês nos presídios estaduais, na Apac não chega a dois.
O Paraná tem deficit de 1,6 mil vagas no semiaberto e a Apac vem suprir essa lacuna. Barracão (Sudoeste) é o primeiro município a aplicar a metodologia Apac no Estado. Outras unidades devem ser abertas em Ponta Grossa, Loanda, Lapa e Londrina.
O advogado Francisco Carlos Melatti foi eleito presidente da Apac Londrina. Ele tem 19 anos de atuação no sistema prisional e, inclusive, já coordenou a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). ''Vejo com otimismo. Esse modelo traz alternativas para uma penitenciária diferente, envolve a comunidade, uma associação com objetivo direciona a assistencia do condenado e sua família, com laços fortes com a religião'', explicou.
O estatuto deve ser registrado ainda esta semana em cartório. A Apac Londrina também busca inscrição junto as receitas Estadual e Federal. Só com a documentação em dia que o convênio pode ser firmado com o Secretaria Estadual de Justiça (Seju).
A indefinição é quanto ao espaço físico. A Apac Londrina deve funcionar no mesmo imóvel do Creslon, antigo prédio do 2º Distrito Policial, na Vila Santa Terezinha (Zona Leste). ''A ideia é que seja um semiaberto dentro do semiaberto'', definiu Melatti.
Um grupo de apenados segue em outubro para Itaúna, Minas Gerais, para conhecer de perto a metodologia. ''Esse grupo vai difundir o conceito aos demais. A ideia é capacitar 20 monitores'', concluiu.

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