Curitiba- A catadora de papel Iraci Rodrigues dos Santos, 41 anos, nunca pôde frequentar uma escola porque não tinha certidão nascimento. Ela nasceu no dia 18 de fevereiro de 1962, em Pato Branco, e seus pais, que ainda moram lá, também não possuem certidão. Por esse motivo não a registraram. Iraci dos Santos foi anteontem a um cartório registrar sua filha de 14 anos de idade e voltou para casa com duas certidões. ''Eu já tinha até desistido de fazer o meu registro, mas lá eles me incentivaram. Agora eu sou feliz, eu existo'', estusiasma-se.
Iraci dos Santos já perdeu muitos empregos por não ter documentos. A catadora de papel conta que nunca visitou seus pais depois de se mudar para Curitiba. ''Eu não podia viajar porque não tinha documento'', justifica. Ela conta que saiu de Palmas com 13 anos de idade para trabalhar como diarista em uma casa em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. ''Depois disso, tentei outros empregos e, quando conseguia algum, não durava muito tempo'', ela conta.
A catadora trabalhou em um restaurante e em um mercado no bairro onde mora, no Jardim Acrópoles II- Cajuru. ''Eu perdi muitas oportunidades boas de emprego. O dono de um mercado me disse que quando eu fizesse meu registro era para eu voltar lá. Agora eu volto'', disse.
A falta do documento causou transtornos ainda maior. Quando ficava doente, Iraci dos Santos pedia a algum amigo ou vizinho para acompanhá-la ao Posto de Saúde ou emprestava documentos. ''Em uma das vezes que eu tive pneumonia, a minha irmã, que mora no bairro Parolin, me acompanhou até um posto de saúde. Eles não me atenderam porque eu não tinha documento. A minha irmã acabou comprando alguns remédios na farmácia e eu me mediquei por conta própria'', lembra.
Com o registro em mãos, Iraci dos Santos conta que agora vai atrás de outros documentos como carteira de identidade, CPF, título de eleitor e carteira de trabalho. ''Agora eu quero poder votar, consultar um médico, estudar e trabalhar decentemente'', diz empolgada.C.D.

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