Aos 10 anos, genoma está longe das clínicas
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quinta-feira, 01 de abril de 2010
Folhapress 
São Paulo - Os estudos sobre o genoma humano viraram, de certa maneira, vítimas de seu próprio sucesso. Perto do aniversário de dez anos do anúncio da primeira leitura completa do DNA humano, cientistas afirmam que a capacidade de soletrar o material genético alcançou velocidades inéditas, embora ainda seja difícil usar esses dados para prevenir e tratar doenças.
Por isso mesmo, novos artigos dos americanos Francis Collins e Craig Venter na revista ''Nature'' soam como um novo adiamento das promessas médicas da leitura do genoma.
Collins, hoje diretor dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, chefiou o Projeto Genoma Humano pago com dinheiro público. Já Venter, agora no Instituto J. Craig Venter, na Califórnia, liderou o projeto privado que ''empatou'' com o de Collins ao produzir uma leitura alternativa do genoma.
Uma década após esse momento de glória, está cada vez mais fácil ler o genoma humano. Hoje, um genoma humano inteiro sai por US$ 5 mil, algo que facilita a identificação de genes ligados a doenças. ''Entre 1999 e 2009, ficou 14 mil vezes mais barato'', diz Collins.
''Em 1989, tivemos sucesso na busca pelo gene da fibrose cística, após anos de trabalho e um investimento de US$ 50 milhões. Hoje, esse projeto poderia ser feito em poucos dias por um único pós-graduando com acesso à internet, amostras de DNA, alguns reagentes baratos e um sequenciador.''
O problema é que doenças como a fibrose cística, causadas por mutações num único gene, são raras e pouco importantes para a saúde pública. Muito mais difícil é esmiúçar a contribuição genética para doenças comuns, como diabetes, câncer e problemas cardiovasculares.
Nesse ponto, a imensa quantidade de dados oriunda do genoma ainda não está ajudando muito. ''A tecnologia de sequenciamento do DNA avançou muito mais rápido do que a nossa capacidade de interpretar os dados'', diz Lygia da Veiga Pereira, bióloga da USP.
''Agora é preciso que um exército de cientistas mundo afora estude cada pedaço dos dados que já temos do genoma, num trabalho menos glamuroso, mas muito importante.''


