São Paulo, 24 (AE) - O afastamento do prefeito Celso Pitta (PTN) do cargo, mesmo que seja temporário, dá força à carta-denúncia que a seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pretende encaminhar na terça-feira à Câmara Municipal, pedindo o impeachment de Pitta. Essa foi a avaliação feita hoje pelo presidente da Ordem, Rubens Approbato Machado, pelo advogado Edson Cosac Bortolai, redator do documento, e também por setores da oposição na própria Câmara.
"Acredito que essa decisão facilitará a aceitação da peça (a denúncia) por parte dos vereadores", disse Bortolai. Ele descartou qualquer possibilidade de a OAB deixar de apresentar o documento à Câmara por causa da decisão do juiz-auxiliar Olávo Sá Pereira da Silva, que já impõe o afastamento do prefeito. "Ele (Pitta) ainda não perdeu o cargo", ressaltou.
Na opinião de Approbato, o afastamento de Pitta serviu para mostrar que a OAB "está no caminho correto".
Segundo a decisão da maioria dos conselheiros da Ordem, a carta-denúncia será assinada pelo presidente da entidade, Approbato, mas na condição de eleitor paulistano.
De acordo com a Lei Orgânica do Município, o prefeito só pode ser denunciado por vereador, partido político ou eleitor de São Paulo. Assim que o documento da OAB chegar à Câmara, os parlamentares terão cinco dias para fazer a leitura e montar uma Comissão Especial, cujo objetivo é decidir se a denúncia procede ou não.
Passeata - A entrega da carta-denúncia da OAB à Câmara será feita na próxima terça-feira, dia 28, após uma caminhada que os conselheiros da entidade batizaram de "vigília cívica". A passeata partirá às 15 horas da sede da seção São Paulo da Ordem, na Praça da Sé, em direção ao Viaduto Jacareí, onde ficam os gabinetes dos vereadores.
O ato será semelhante ao protagonizado pela OAB nacional na época do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Na ocasião, a caminhada foi feita até o Congresso Nacional, em Brasília. Collor renunciou alguns dias depois, mas não conseguiu evitar a votação de sua cassação na Câmara dos Deputados.
Mudanças - Bortolai disse hoje que encontrou "mais de 20 motivos" nos depoimentos de Nicéa Pitta e seu filho, Victor, ao Ministério Público Estadual, para justificar o impeachment do prefeito Celso Pitta.
Ele acha que, entre todas as denúncias feitas pela primeira-dama, a que se refere à compra de votos dos vereadores é a mais grave, pois "configura um atentado contra o livre exercício da Câmara".
O redator da carta-denúncia da OAB pretende sugerir ao presidente e aos conselheiros da Ordem uma revisão do texto, restringindo o conteúdo do documento apenas aos depoimentos de Nicéa e Victor. "Assim, a denúncia ficará menos difusa."

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