Maringá - Após a morte de um ente querido, uma questão delicada mas necessária precisa ser decidida pelos familiares, caso o próprio falecido não tenha optado em vida: o destino do corpo. O mais comum é o sepultamento, também chamado de inumação. A cremação ainda é relativamente pouco utilizada, por diversas razões. Questões religiosas e a restrição de crematórios a grandes centros são duas delas. A ideia de que o procedimento é caro também pode ser um motivo para a baixa procura.
A cremação é um processo muito antigo, sendo até hoje encontradas urnas com cinzas em escavações arqueológicas. Em alguns países, como o Japão, a falta de espaço é um dos motivos para que os corpos sejam cremados. Algumas religiões orientais também recomendam o procedimento. Na Índia até hoje a queima dos corpos em piras é feita no Rio Ganges.
Entre as religiões, judeus e muçulmanos não permitem que haja cremação. Os espíritas pedem apenas que se aguarde 72 horas. ''No Brasil, em torno de 5% dos corpos são cremados. No Rio Grande do Sul esse índice chega a 14%''. observa Reginaldo Czezacki, diretor Crematório Angelus, em Maringá (Noroeste). ''Mas essa é uma tendência, já que as pessoas estão se preocupando mais com o meio ambiente. No sepultamento, os corpos acabam eliminando o necrochorume, resultado da decomposição e que é altamente poluente. A falta de espaço para os cemitérios é outro fator que irá contribuir para que aumente o número de cremações', prevê.
De acordo com Ney Vicente de Oliveira, gerente coordenador do crematório, durante o processo o corpo é submetido a uma temperatura entre 800 e 1.200 graus Celsius. Do caixão são retiradas apenas o vidro e os materiais pesados, como as alças. Todo o processo é ecologicamente correto, sendo licenciado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ''Os fornos são equipados com filtros para que não haja poluição alguma'', atesta.
Ao final de quatro horas as cinzas são retiradas e colocadas na urna cinerária, para ser entregue aos familiares. Czezacki explica que a maioria das famílias prefere levar a urna para casa, seja para guardar as cinzas ou aspergí-las em um local especial. Quem quiser pode deixar a urna no próprio crematório, em um nicho do Columbário.
Para quem deseja ter o ente querido mais próximo, existem urnas que são verdadeiras obras de arte e podem ser colocadas tranquilamente na estante, sem passar uma imagem fúnebre. Na onda ecológica, há urnas que são biodegradáveis e podem ser depositadas na água ou enterradas.
''Temos dois modelos que são feitos de areia e depois de um tempo dentro d'água eles se dissolvem. Um outro modelo vem com uma semente e é próprio para ser plantado. Depois de um tempo uma árvore brotará, sendo uma bela forma de homenagem ao familiar'', destaca Czezacki. As urnas podem custar de R$ 260 a R$ 2 mil.
Questões legais
Para que possa haver cremação, é necessário que a morte tenha sido por causas naturais e o óbito deve ser atestado por dois médicos ou um legista. No caso de morte violenta, seja por acidente ou homicídio, é necessário liberação da Justiça, que pode indicar também que seja retirado material biológico.
Restos mortais também podem ser cremados, após cinco anos do sepultamento. Quando a morte foi violenta, é necessário aguardar 20 anos ou então solicitar autorização judicial.
Em Maringá, uma cremação custa em torno de R$ 3 mil, sem considerar o custo com o caixão e a preparação do corpo. Dependendo da cidade, um terreno no cemitério custa cerca de R$ 4 mil.

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