Ao lado de Sanguinetti, FHC reforça futuro do Mercosul
Brasília, 03 (AE) - A desvalorização do real e seu impacto sobre o Mercosul está levando os presidentes dos países que o integram - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - a procurar soluções para sua sobrevivência. Hoje, o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu no Palácio do Alvorada o presidente do Uruguai, Julio Maria Sanguinetti, para uma conversa de quase uma hora. No dia 12, ele deverá encontrar-se com o colega argentino, Carlos Menem, em Campos do Jordão (SP).
Os presidentes do Mercosul vão marcar ainda uma reunião conjunta para discutir a crise. E a partir da semana que vem, segundo Sanguinetti, grupos técnicos dos quatro países abordarão problemas específicos.
Depois do encontro com Sanguinetti, Fernando Henrique afirmou que o Brasil tem "o maior empenho" na continuidade do Mercosul. "Nós temos uma visão de continuidade firme do Mercosul e as medidas que tinham de ser tomadas, nesse aspecto, estão sendo tomadas." Ele garantiu que o Brasil sairá do período de "turbulência" com o "sentimento mais forte ainda" de que é preciso reforçar as relações dentro do Mercosul e ampliar a ação da união aduaneira.
"Àqueles que são mais incrédulos, o que não é o nosso caso, basta ver o que aconteceu com a história da União Européia", provocou Fernando Henrique. "Quantas vezes houve problemas em um ou outro país, em alguns países-chaves da União Européia e, não obstante, ela se mantém sólida e, agora, tem até uma moeda comum." Ele afirmou que o Mercosul é "um sonho antigo que começou a delinear-se como um projeto concreto há alguns anos e vai seguir adiante."
Sanguinetti destacou a importância de os países do Mercosul encontrarem soluções comuns para que os negócios que vinham sendo realizados até a desvalorização do real sejam retomados. "Temos de restabelecer os fluxos normais de capitais dentro do Mercosul."
MENEM - Os argentinos sentiram o impacto da desvalorização do real em sua economia. Com o real mais barato do que o peso argentino - que tem equivalência com o dólar - foram anunciadas demissões em Córdoba e a diretoria da Fiat transferiu as operações da fábrica argentina para a de Betim (MG). Na semana passada, o presidente argentino criticou a condução da política econômica brasileira, numa reação ao ex-presidente do Banco Central Chico Lopes, que rejeitou a dolarização da moeda brasileira, a exemplo do que fez o governo argentino. Menem considerou que as autoridades brasileiras "o desautorizaram" ao rejeitar a dolarização. "Gostaria que os brasileiros solucionassem seus problemas internos, que são graves, antes de criticar um projeto deste governo, que tenta colocar-nos a salvo da crise."
Fernando Henrique não comentou as críticas, mas, por meio do porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, disse que só tem recebido sinais de apoio e amizade do colega. "O que o presidente tem visto e ouvido do presidente Menem, quer em público, quer em privado, são sempre declarações de apoio ao Brasil, declarações de amizade e o presidente considera que são de um parceiro com o qual muito se tem feito para fortalecer o Mercosul", disse Amaral.Por Isabel Braga e Tânia Monteiro ------------------- Atenção Editor: Corrige informações da retranca anterior -------------------





