Na brincadeira antes do treino, o atacante Gabriel Fernando dos Santos Pereira e o volante Alysson Gabriel Vieira de Souza, ambos de 10 anos, têm vontade de sobra para mostrar que talento futebolístico não falta aos garotos da zona sul de Londrina.
No duelo particular em um campo do Conjunto São Lourenço, na esquina das ruas João Marujo com Antonio Augusto de Faria, um detalhe compromete a diversão: a altura da grama não deixa a bola rolar.
O local é sede do Projeto Futuro, que usa o futebol para inclusão social, e é frequentado por 80 crianças e adolescentes carentes da região. O treinador Genivaldo José de Lima, 42 anos, afirma que há 45 dias pede insistentemente à prefeitura que a grama seja aparada. ''A última vez que isso aconteceu foi há três meses'', lamenta o treinador.
Além do prejuízo técnico para as equipes, Genivaldo explica que o estado do gramado é uma ameaça à integridade física dos jogadores. ''Nas partes mais críticas, o mato esconde buracos e a vegetação está trançada, o que pode provocar quedas e torções'', alerta.
Ontem pela manhã, os pais dos garotos testemunhavam as dificuldades que o abandono provoca. ''Já joguei muito neste campo e as condições nunca foram boas. Mas agora está pior ainda'', compara o operador de produção João Carlos Gonçalves, 28 anos, pai de Carlos Eduardo, 8.
De acordo com o técnico e com os expectadores, a manutenção do gramado era feita pela própria comunidade até um ano atrás, quando a máquina de cortar grama da associação de moradores quebrou e não foi consertada. Desde então, o projeto social depende dos equipamentos da empresa terceirizada contratada pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), para aparar o gramado. ''O ideal é que a poda seja feita mensalmente'', afirma Genivaldo.
O treinador, que também usa as instalações para as aulas do Arsenal, uma escolinha que disputa competições da Liga de Futebol de Londrina, disse que o campo não seria liberado para jogos neste final de ano. ''Se tívessemos nos classificado para as finais, teríamos que atuar em outro local'', pondera. Neste caso, o mato alto não é o único problema. A base de uma das traves cedeu e a estrutura entortou.
Décio Zulian, diretor de operações da CMTU, responsável pela roçagem em áreas públicas, justificou que a demora para fazer a roçagem no campo é resultado da crise financeira que a administração municipal sofreu no início do mandato do prefeito Gerson Araújo. ''Já havíamos informado o responsável pelo projeto que a roçagem do campo seria feita em dezembro. E este prazo será cumprido'', informou. Zulian disse que escolas, creches e postos de saúde tem prioridade nas próximas áreas de serviço.

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