Anvisa quer suspender anúncios de analgésicos
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sexta-feira, 04 de abril de 2008
Folhapress 
São Paulo - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) solicitou a suspensão da publicidade de todos os analgésicos. Há suspeitas de que vítimas de dengue tenham apresentado problemas hepáticos devido ao uso excessivo de substâncias como o paracetamol, presente nesse medicamento, além de mascarar os sintomas da doença.
Segundo Temporão, a Secretaria da Saúde do Rio investiga inclusive se algumas mortes no Estado podem estar relacionadas a superdosagens de paracetamol, embora ainda não haja ''nenhuma evidência prática''. ''A secretaria determinou a investigação de óbito por óbito.''
O ministro ressaltou que existem analgésicos e antitérmicos totalmente contra-indicados no caso de suspeita de dengue, como os medicamentos à base de ácido acetilsalecílico, que interferem na corrente sanguínea e podem favorecer hemorragias.
''Existem outros medicamentos, como paracetamol, que são indicados em casos de dengue. Entretanto, esse medicamento usado de modo inadequado, em doses excessivas em adultos e em crianças, pode levar a graves danos hepáticos, inclusive a hepatite medicamentosa.''
Com a suspensão das propagandas, o ministro quer desestimular a automedicação e as possibilidades de superdosagens. ''Neste período, automedicação é um risco grave à saúde. Ninguém deve tomar nenhum medicamento nem indicado e muito menos contra-indicado sem recomendação médica'', afirmou. ''Não me parece razoável que nesse momento se faça propaganda de paracetamol. Isso pode levar à automedicação e no Rio o momento não é para se automedicar. Os médicos é que têm de ser os prescritores, não a mídia.''
Por lei, o ministério não pode proibir a veiculação de comerciais de laboratórios. Ele disse ter solicitado ao presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Melo, que entrasse em contato com os laboratórios produtores para que parassem ''voluntariamente'' de veicular ''esse tipo de publicidade, que induz ao autoconsumo''.
Temporão também espera que os laboratórios utilizem esse espaço na TV e no rádio para veicular mensagens de prevenção e alerta sobre a questão da doença.


