A partir de hoje as farmácias estão proibidas de vender similar que tenha na embalagem só o nome do princípio ativo (principal substância de um remédio). Todos os similares à venda serão obrigados a ter nomes fantasia. A medida, adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quer evitar que o consumidor confunda similar com genérico. Enquanto o genérico é uma cópia idêntica do remédio de marca, o similar não conta com essa garantia.

Para ser genérico, o remédio tem de ser aprovado em testes de equivalência farmacêutica e de bioequivalência. Isso significa que ele é testado em laboratório e também em seres humanos. Os similares não passam por estes testes. ''O genérico é o único remédio que pode ser usado no lugar do de marca, com segurança e eficácia'', explica Vera Valente, gerente-geral de medicamentos genéricos da Anvisa.

A mudança dos similares foi motivada pela prática da ''empurroterapia'' - o balconista da farmácia empurra o similar para o cliente, como se fosse um genérico. ''Queremos reduzir isso'', diz Vera. Para facilitar a identificação do genérico pelo consumidor, a partir de 5 de outubro, todos terão na embalagem uma tarja amarela com a letra G em azul.

Os similares que estiverem fora da nova norma serão recolhidos a partir de sábado. ''As vigilâncias sanitárias do País foram orientadas para fiscalizar isso'', afirma Vera. Segundo ela, não há motivo para que as farmácias tenham estoques grandes do similar sem nome fantasia. ''Afinal, demos prazo de abril a setembro para que a venda desses similares com o nome genérico fosse proibida.''

''Até o médico não sabe a diferença entre genérico e similar'', critica o médico Gilberto De Nucci. Professor nas Universidade de São Paulo e Estadual de Campinas, De Nucci já viu colegas confundirem os dois tipos de remédio.

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