Anvisa não proibe venda de medicamento sem associação
A nova determinação da Anvisa não proibe a venda de medicamentos para emagrecimento. ''A pessoa terá direito a se suicidar. Se a pessoa quiser usar esse tipo de medicamento, basta ter alguém que prescreva. Essa é uma prática ruim. Vamos ter que ficar de olho. Se o médico quiser, poderá receitar os medicamentos existentes, industrializados, que servem para o emagrecimento. Mas ele terá que agir com ética'', disse Monica De Biase Wright Kastrup.
A médica considera que a máquina humana é muito bem feita. Por esta razão, poucas pessoas morreriam por conta do uso de remédios para emagrecimento. ''Um dos motivos é porque o brasileiro é inconstante. Ele toma dois meses e abandona o medicamento. Ou por conta dos efeitos colaterais. Ou pela falta de persistência. Se fosse frequente o uso, teríamos muito mais pacientes morrendo'', alertou.
A médica ponderou que, em alguns casos, os remédios podem ser indicados, mas nunca devem ser usados por mais de seis meses. Os anorexígenos são medicamentos derivados das anfetaminas. Eles são usados porque tiram o apetite do paciente, proporcionando emagrecimento. Mas podem ocorrer efeitos colaterais como: aumento da pressão, delírios, problemas psicológicos graves, convulsões, problemas cardíacos, taquicardia, hipertiroidismo, desnutrição (se usado com laxantes e diuréticos).
''É uma catástrofe. A pessoa que quer emagrecer, faz qualquer coisa. Os gordos são discriminados na sociedade. Existe um preconceito. Gordo não é nada feliz. Muitos não conseguem cuidar da aparência. Mudar o estilo de vida. E apostam no que aparentemente é mais fácil. Não existe facilidade para emagrecer. As promessas são irreais. Os remédios tiram o apetite e deixam o paciente elétrico. Mas é parar de tomá-los e vem o rebote. A pessoa engorda muito mais do que emagreceu'', contou.
Um dos motivos para que o tratamento com os anorexígenos seja indicado, segundo Monica, é a manutenção do paciente para a vida inteira. ''O paciente acaba dependendo da droga. Dá euforia e não deixa com que ele queira comer. O organismo acaba se habituando com a droga e cada vez mais o paciente precisa de medicamentos mais fortes. Essas drogas são perigosas porque fazem o paciente como refém. É uma cadeia que dá muito dinheiro''. (L.P.)





