Curitiba- A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reiterou ontem que não registra alisantes de cabelo à base de formol. Esta semana, foi divulgada a informação de que uma mulher morreu em Goiás sob suspeita de forte reação alérgica a produtos utilizados em uma escova progressiva (método de alisamento capilar) realizada em um salão de beleza. Suspeita-se que na aplicação tenha sido usado formol.
''A Anvisa só permite a utilização de formol em cosméticos como conservante e agente para endurecer unhas, e mesmo assim em concentrações pequenas'', afirmou Olavo Ossamu Inoue, técnico da Gerência Geral de Cosméticos da Anvisa.
''Em contato com a pele e os olhos, o formol pode causar irritação, vermelhidão e dor. Na inalação, as reações são irritação e sensibilização do trato respiratório. Estudos apontam o formol como cancerígeno em situações de exposição prolongada'', comentou Jaqueline Juste, farmacêutica da Vigilância Sanitária do Paraná.
Especialistas na área acreditam que alguns cabeleireiros podem adicionar formol a alisantes de cabelo porque a substância teria um poder de alisamento maior. Uma cabeleireira entrevistada pela Folha admitiu que utilizava um produto à base de formol para fazer alisamento de cabelo em suas clientes. ''Eu comprava de uma pessoa um alisante já pronto. Mas parei de usar há uns seis meses porque estava me fazendo muito mal'', explicou a mulher, que pediu para não ser identificada.
Jaqueline Juste comentou que, como salões de beleza são considerados ambientes de ações de baixa complexidade, a fiscalização cabe às vigilâncias sanitárias municipais. Segundo a farmacêutica, a utilização de alisantes à base de formol é considerada infração sanitária, passível de processo administrativo que pode render multa, e, em caso de reincidência, até o fechamento do estabelecimento. Podem ocorrer também implicações penais.

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