Anvisa interdita fabricante de válvulas cardíacas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de novembro de 2002
Lígia Formenti<br> Agência Estado 
Brasília - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), determinou ontem a interdição da fabricante de produtos médicos Tri Technologies. A medida foi tomada depois de vir à tona uma investigação feita pelo Ministério Público italiano sobre a qualidade dos produtos da empresa. Válvulas cardíacas que teriam sido exportadas e usadas nos Hospitais de Pádua e Turim teriam apresentado problemas de funcionamento em 125 pacientes. Doze deles morreram.
Além da interdição, a Anvisa determinou que a empresa declare quais hospitais brasileiros usaram seus produtos. O objetivo é fazer um rastreamento dos pacientes, para ver qual é o estado de saúde que eles se encontram atualmente. A Anvisa determinou, ainda, que os hospitais-sentinela da agência verifiquem se há registros de problemas em pacientes que possam estar relacionados com o produto.
Instalada na cidade de Nova Lima, em Minas Gerais, a empresa funciona no mesmo terreno de outra empresa de produtos médicos, a Labcor - esta com permissão para produção e venda de válvulas cardíacas. A Tri Technologies também havia recebido um registro, mas que não permitia a venda ou fabricação de nenhum produto. Uma das suspeitas é de que a Labcor tenha transferido a tecnologia de produção de válvulas sintéticas para a Tri Technologies. A Labcor também foi interditada.
De acordo com o diretor da Anvisa, Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques, a matéria-prima usada pela empresa não era registrada na agência. Henriques afirma que a Anvisa somente soube das suspeitas contra as empresas brasileiras depois de uma reportagem publicada por uma agência de notícias internacional.


