Anvisa faz alerta sobre mortes causadas por 'stent'
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quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Agência Folha 
Brasília e São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começou ontem a investigar relatos de possíveis mortes ocorridas em decorrência do uso do ''stent revestido''. O ''stent'' é uma espécie de mola que dilata a artéria que irriga o coração. O ''stent revestido'', que é de última geração, é capaz de liberar a droga rapamicina, impedindo que ocorra a reestenose, uma espécie de ''cicatriz'' ou ''quelóide'' que acaba provocando novo entupimento da artéria.
Na quarta-feira, a FDA, órgão americano que fiscaliza drogas e alimentos, informou que pelo menos 60 pacientes tinham morrido depois que coágulos se formaram em volta do dispositivo, entupindo a artéria.
O ''stent'' em questão é o Cypher, fabricado pela Johnson & Johnson. Estima-se que 260 mil desses ''stents'' tenham sido empregados nos EUA e 180 mil em outros países. No Brasil, calcula-se que mil pacientes estejam usando o dispositivo. A nota da FDA, repassada pela Anvisa a cerca de 100 hospitais e às sociedades de cardiologia, lembra que ainda não está provado que as mortes foram causadas pelo Cypher.
O stent é um pequeno dispositivo metálico colocado por intervenção cirúrgica na coronária para mantê-la aberta. O objetivo é evitar que a artéria fique obstruída novamente. O stent da Johnson & Johson difere dos outros por possuir drogas que potencializam os efeitos do dispositivo, diminuindo a possibilidade de reentupimento de 20% com os stents antigos para 5%. No Brasil, o novo modelo é utilizado desde maio de 2002.
As sociedades médicas aguardam mais informações para se manifestarem, já que o número de mortes, cerca de 1% dos pacientes, ainda estaria abaixo do previsto. Em Brasília, o ministro da Saúde, Humberto Costa, disse que as decisões serão tomadas a partir das conclusões e análises da Agência de Vigilância Sanitária.


