A ausência de contra-indicações e advertência obrigatória (ao persistir os sintomas consulte um médico) estão entre as principais irregularidades detectadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) através do Projeto de Monitoração de Publicidade e Propaganda de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária. Essa lista inclui medicamentos, alimentos, produtos para saúde (por exemplo, suplementos), ginástica passiva e produtos odontológicas.
A coleta e análise das peças publicitárias (jornal, revista, rádio e TV) é feita por universitários que, posteriormente, submetem o material à avaliação da Anvisa. O projeto envolve 19 universidades de todas as regiões do País, entre elas a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os objetivos são aumentar a captação de material que, antigamente, cabia apenas a Anvisa; envolver as universidades na discussão e modificar o perfil dos profissionais ligados às áreas de interesse.
O projeto existe há quatro anos e acaba de entrar na segunda fase. Neste período, participam estudantes de medicina, farmácia, direito, comunicação social, enfermagem, odontologia, nutrição, biologia e engenharia de alimentos.
De acordo com Maria José Delgado Fagundes, gerente de monitoramento e fiscalização de propaganda da Anvisa, até agora, foram captadas seis mil peças das quais 5.560 foram avaliadas pelo órgão. ''Desde o início, arrecadamos R$ 10 milhões em multas e abrimos vários processos que podem resultar também no cancelamento do registro do produto'', disse a gerente que, ontem, visitou o laboratório utilizado pelos estudantes da UEL.
A instituição londrinense é uma das nove que aderiu à parceria este ano. Neste caso, ela recebe R$ 45 mil/ano para pagar os bolsistas, equipar o laboratório e comprar o material. ''As primeiras recebem menos porque já possuem um laboratório montado'', explicou o publicitário da Anvisa Luiz Silva Júnior. Em 2005, o Projeto consumirá R$ 700 mil que, na opinião, de Maria José é um valor baixo comparado ao benefício que ele gera.
A UEL selecionou 23 estudantes que trabalham 10 horas/semana no laboratório montado no Hospital Universitário. Augusto Barba Correa faz parte do grupo que desde agosto analisou 80 das 300 peças publicitárias. Para ele, a maior vantagem de participar da pesquisa é a consciência crítica que ela desperta para o uso adequado dos medicamentos. ''Boa parte dos textos publicitários que avaliamos coloca o remédio como sinônimo de saúde que, na verdade, é apenas um item do tratamento'', conclui o graduando.

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