Anvisa completa 15 anos cercada de desafios
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Londrina - As agências reguladoras do governo federal foram criadas a partir da segunda metade dos anos 1990 para normatizar e fiscalizar os serviços públicos prestados pela iniciativa privada. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), uma das reguladoras de atuação mais ampla e de maior repercussão na sociedade brasileira, completa em janeiro 15 anos de existência.
Criada por meio da Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, a Anvisa, segundo a descrição da matéria, é uma "autarquia sob regime especial, vinculada ao Ministério da Saúde", que tem como objetivo "promover a proteção da saúde da população, por intermédio do controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, dos insumos e das tecnologias a eles relacionados, bem como o controle de portos, aeroportos e de fronteiras".
No esforço de fazer esse trabalho de regulação previsto na lei, a Anvisa publicou mais de 40 mil normas, entre resoluções, instruções normativas e outros instrumentos regulatórios, segundo o portal Saúde Legis, do Ministério da Saúde.
Desde 1999, não faltaram polêmicas na atuação da Anvisa. Há quem considere que a agência por vezes extrapola suas funções (veja box). Outros ponderam que o arsenal regulatório criado pela Anvisa está além da sua capacidade de zelar por ele. Mas uma opinião unânime é que houve grande evolução na área de vigilância sanitária desde a criação da autarquia.
Márcia Oliveira Lopes, especialista em vigilância sanitária e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destaca que a Anvisa surgiu em um cenário que demandava um órgão com maior força, autonomia e estabilidade para as ações da área. Ela aponta que houve ganhos significativos na saúde pública e na relação com o setor privado, na visibilidade na divulgação de informações à população, vigilância em portos e aeroportos, na farmacovigilância, na análise de alimentos (como na investigação de resíduos de agrotóxicos e teores de sódio) e na definição de uma rede de laboratórios de vigilância sanitária.
"Não é um sistema perfeito, ele está em construção. Assim como o Sistema Único de Saúde (SUS), estruturado a partir da Constituição Federal de 1988, enfrenta problemas, a vigilância sanitária também não consegue pôr em prática tudo que coloca em lei", diz a professora. "A vigilância sanitária é um trabalho federal, estadual e municipal, e o que vemos é um investimento aquém da necessidade e falta de recursos humanos. A Anvisa é um órgão, mas existe em um contexto de coordenação nacional de vigilância sanitária."
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, entidade que atua no fortalecimento dos direitos dos consumidores brasileiros, acredita que o saldo dos primeiros 15 anos de existência da Anvisa é positivo.
"A agência tem uma atuação muito pró-ativa em alguns casos, e quando tem essa pró-atividade o resultado é muito significativo do ponto de vista do consumidor. Quando faz fiscalizações rigorosas, retira produtos e serviços contrários ao interesse do consumidor e aprimora normas, a Anvisa ajuda o mercado a melhorar como um todo", justifica. Ela aponta, entretanto, que a agência tem necessidade de "um contingente maior de pessoal".
Procurada pela FOLHA, a própria Anvisa não quis se pronunciar. A assessoria de imprensa justificou que a agência "ainda está planejando e levantando dados relevantes dos últimos 15 anos".



