Peças irregulares que seriam utilizadas em implantes dentários foram apreendidas nesta terça (6) durante a segunda fase da Operação Fake, realizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) com o apoio da Polícia Federal. Aproximadamente 200 mil produtos foram recolhidos em três empresas fiscalizadas, duas em Curitiba e uma em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Três suspeitos foram presos.

O fiscal da Anvisa, João Roberto Ferreira de Castro, que participou da ação desencadeada no Paraná, destacou que outros dois endereços na capital também estavam entre os alvos da operação. No entanto, uma das empresas mudou de endereço na última semana e a outra permaneceu fechada. "Várias empresas estão fabricando implantes e copiando modelos já registrados. Elas sequer têm autorização da Anvisa para produzir esses produtos e isso gera um risco sanitário muito alto", frisou.

As peças são pequenas e entregues a granel, sem identificação e detalhamento para os profissionais do setor. Conforme Castro, isso compromete a qualidade dos procedimentos e o prontuário dos pacientes. "Esses produtos feitos de forma irregular chegam sem controle de rastreabilidade e de esterilização. O paciente precisa indagar sobre a procedência do produto e constatar se de fato há a identificação do fabricante", orientou.

A primeira fase da operação, realizada no ano passado, resultou em mais de 100 mil produtos apreendidos. Responsáveis por fábricas em São Paulo, Goiânia e João Pessoa foram presos. Um dentista também foi detido pela Polícia Federal. "As empresas que fechamos em São Paulo exportavam para o México e a Bolívia", contou o fiscal. Os envolvidos nesse tipo de crime respondem pela fabricação de produtos sem registro no órgão regulador, crime hediondo com pena que varia de dez a 15 anos de prisão.

As investigações continuam já que novas denúncias envolvem empresas de São Paulo, Recife, Fortaleza e Porto Alegre. O gerente de Estratégia Regulatória da Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), Joffre Moraes, reforçou que o uso dos produtos irregulares trazem risco à saúde pública. "No mercado da odontologia, a gente estima que 30% dos componentes utilizados nos procedimentos são fruto de meio ilícito. O profissional tem que adquirir um material que esteja registrado na Anvisa. O paciente precisa ter um profissional de confiança e questionar a procedência dos produtos", ressaltou.

Os valores cobrados pelos procedimentos também precisam ser analisados. "Se houver uma diferença muito grande de preço, realmente é preciso ficar mais alerta. Gasta-se muito mais depois para acertar o problema de um implante irregular muito mais barato", afirmou. Em geral, o titânio é utilizado como matéria-prima para a fabricação das peças. No entanto, alterações no processo de produção e a falta de controle das etapas comprometem a qualidade do produto final.

"No implante de má qualidade você acaba não tendo uma junção adequada entre o parafuso e o próprio implante. Você não tem um encaixe perfeito. Isso é milimetricamente construído. Nessas microfissuras que acabam sendo formadas, pode haver um depósito de resíduos. Sem contar que o próprio material, muitas vezes, não é adequado e fica em contato direto com o osso da boca. Tudo isso pode gerar uma inflamação, o que é muito complicado", alertou.

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