Brasília, 13 (AE) - O anúncio da demissão coletiva do ministério feito hoje pelo porta-voz da Presidência, Georges Lamaziére, surpreendeu as lideranças políticas, que temem por um aprofundamento do desgaste do presidente Fernando Henrique Cardoso e das relações entre os partidos aliados. "Este é o maior desastre que o presidente poderia promover no momento", disse hoje um dos parlamentares de maior influência no Congresso.
Segundo esta liderança, "não se demite o ministério todo para fazer uma reforma pontual que sequer está completamente delineada 48 horas antes de uma reunião de governadores e às vésperas de uma viagem internacional".
De acordo com este parlamentar, "se o anúncio dos novos nomes não for feito amanhã (14) irá deflagrar uma guerra total entre os partidos aliados, já que apenas os ministros da Fazenda e da Defesa estão fora do leque de mudanças". Caso o resultado da reforma seja a troca de poucos nomes, "isto irá aumentar a impopularidade do presidente, já que a opinião pública tomará isto como um sinal de fraqueza e de confusão de Fernando Henrique".
Para este congressista, o presidente pretende apenas substituir os ministros da Justiça, Renan Calheiros, da Agricultura, Francisco Turra, e do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio, Celso Lafer. Ainda deseja aproveitar o último em outra função dentro do ministério e reduzir o número de secretarias. "Para fazer isto, não era necessário lançar mão de um método cesaresco, napoleônico, anacrônico como este."
O parlamentar lembra que a última vez que tal recurso foi utilizado no País foi no início de 1992, quando o então presidente Fernando Collor também exigiu a renúncia coletiva do ministério. "Mas naquele caso Collor de fato fez mudanças profundas no gabinete, trocando quase todos os auxiliares", disse.
Os dirigentes dos partidos aliados que já vinham defendendo uma reforma ampla reagiram de maneira mais otimista. "Isto é normal dentro de um regime presidencialista, é um procedimento rotineiro quando se trata de alterar o gabinete", disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). De acordo com Bornhausen, "o fato de todo o ministério pedir demissão não significa que as mudanças serão profundas. Pode haver apenas uma ou outra modificação pontual, acompanhada, provavelmente, de um rodízio de cargos, com ministros apenas trocando de pastas", afirmou.
Se o presidente Fernando Henrique Cardoso de fato começar a anunciar as mudanças estará agindo sem qualquer consultas aos líderes partidários. A grande maioria deles está fora de Brasília. Alguns, como o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), estão fora do País. Bornhausen amanhã (14) estará viajando para o Pantanal mato-grossense com a família. O presidente do PSDB, senador Teotônio Vilella Filho (AL), também está viajando.

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