Anuncio de viés do Fed pode sinalizar série de apertos
Washington, 18 (AE-DOW JONES) - O Federal Reserve (Fed) anunciou hoje (18) que está mais inclinado a elevar as taxas de juro de curto prazo do que a reduzi-las, nas próximas seis semanas, embora tenha decidido esperar para ver se a economia norte-americana vai se desaquecer por conta própria.
O Comitê de Mercado Aberto decidiu manter a taxa dos Fed Funds em 4,75% e a de redesconto em 4,50%, conforme previa a maioria dos observadores citados pela Dow Jones. Mas, pela primeira vez em dez meses, os formuladores da política monetária dos EUA manifestaram a inclinação ("viés") a elevar as taxas, sinalizando que existe uma preocupação com a possibilidade de estar acabando o período de crescimento forte com inflação baixa.
Ao anunciar um viés por taxas de juro mais altas, o Fomc testa pela primeira vez sua nova política de anunciar imediatamente mudanças no consenso de seus integrantes. Anteriormente, o comitê anunciava sua inclinação somente seis semanas depois das decisões. Com isso, os investidores raramente encaravam o viés do Fed como indicador confiável de possíveis mudanças futuras na política monetária. Afinal de contas, já aconteceu de o Fed reduzir as taxas de juro depois de anunciar uma inclinação a elevá-las.
A nova política, de anunciar o viés imediatamente, fez crescer muito a importância do viés, porque a inclinação anunciada pelo Fomc passará a ser encarada como uma sinalização deliberada do Fed ao mercado. Como resultado disso, o mercado pode interpretar o anúncio de hoje como sinal de que o Fed planeja efetuar uma série de elevações nas taxas de juro este ano, possivelmente já a partir da próxima reunião do Fomc, em 30 de junho.
"Não há razão para o Fed dar-se a esse trabalho apenas para uma elevação de 25 pontos-base", comentou o economista Jim Glassman, da Chase Securities. "O Fed está muito preocupado com o ritmo do crescimento dos EUA e uma série de elevações das taxas de juro deverá prosseguir até que o crescimento seja bastante desacelerado", acrescentou. O Fed não eleva as taxas de juro desde março de 1997.





