Anulado julgamento de líder de seita
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Carlos Mendes<br>Agência Estado 
Belém- O Tribunal de Justiça do Pará, por maioria de votos, decidiu ontem anular o julgamento que inocentou, em dezembro de 2003, a vidente Valentina de Andrade. Ela era acusada de liderar uma seita que seria responsável pela castração e morte de crianças em Altamira, no sudoeste do Estado, entre 1989 e 1993. Valentina será submetida a novo julgamento, provavelmente ainda este ano.
Na mesma sessão, as Câmaras Criminais do TJ decidiram manter a condenação de outros quatro acusados de envolvimento nos crimes, os médicos Césio Brandão e Anísio Ferreira, o comerciante Amailton Madeira Gomes e o ex-policial militar Carlos Alberto Santos. Os três primeiros foram soltos no ano passado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), para aguardar em liberdade o recurso julgado hoje. Com a decisão que lhes foi desfavorável , Brandão, Ferreira e Gomes tiveram decretada a prisão preventiva, mas até o começo da noite não haviam sido presos. Santos recebeu o resultado do julgamento da apelação na penitenciária de Americano, onde se encontra.
Os advogados de Valentina anunciaram que vão ingressar com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar derrubar a decisão da justiça paraense. A vidente, cujo destino é ignorado, estaria morando na Argentina, onde a seita Lineamento Universal Superior (LUS), que ela comanda, tem sua sede.
O advogado Jânio Siqueira, defensor do médico Anísio Ferreira, disse que a decisão foi ''absurda'', porque insiste na condenação de ''inocentes''. Para Siqueira, o verdadeiro autor das mortes em Altamira foi o mecânico Francisco das Chagas, que confessou ter também assassinado meninos no Maranhão.
O advogado Clodomir Araújo, defensor das famílias das vítimas, afirma que Chagas não praticou os crimes, mas se tiver alguma participação seria no máximo como integrante da organização liderada por Valentina da qual participavam os outros quatro condenados. ''É um absurdo, nunca vi serial killer agir em parceria'', dispara Siqueira.


