Recife, 16 (AE) - O diretor da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Laurindo Junqueira Filho, disse hoje que uma eventual extinção do vale-transporte levaria à morte a maior indústria de ônibus do mundo, localizada no Brasil. A advertência, dirigida ao governo federal, foi feita durante uma veemente defesa da manutenção do benefício durante o 12º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, em Olinda (PE). O encontra prossegue até sexta-feira, no Centro de Convenções da cidade.
"O vale foi o principal meio de financiamento do transporte público nos últimos 13 anos e paga 45% das viagens em ônibus urbano no País", afirmou. "É um absurdo querer acabar com esse mecanismo que gera o equivalente a R$ 18 milhões por dia". Junqueira, que coordenou um debate sobre o assunto, lembrou que o Brasil é hoje o maior produtor mundial de ônibus. No ano passado foram fabricados 20 mil, sendo que 3 mil foram exportados. Segundo disse, o problema de desvio do vale-transporte - que tem sido usado em transportes clandestinos e até para compra de alimentos - será superado com a implantação da bilhetagem automática.
De acordo com o diretor, a maior resistência ao vale-transporte vem dos empresários dos setores da indústria e comércio que o financia. "Mas pensar assim é como dar um tiro no próprio pé", observou. "A medida que se acaba com o vale, a economia deixa de ser alimentada". Clandestinos - O combate ao transporte clandestino e ao crescente uso do automóvel foram outros temas discutidos hoje no congresso. Cerca de 1,3 mil pessoas participam do encontro. Na mesa-redonda "Mobilidade com qualidade: quem consegue circular?", o diretor executivo adjunto da associação, Eduardo Vasconcellos, salientou os casos de "privatização de um bem público", as vias públicas, pelas classes média e alta. Com base em um um estudo realizado pela ANTP/Ipea, ele disse que 80% do espaço físico das vias são ocupados com carros particulares, responsáveis pelos congestionamentos que afligem as populações das metrópoles e pelo aumento do custo operacional das empresas de ônibus.
Em busca de maior qualidade e eficiência, a entidade propõe a reconstrução do espaço urbano, com prioridade para o transporte público, a reorganização do transporte individual (com controle de poluição e congestionamento) e a organização do transporte público com uma crescente participação das operadoras e da sociedade. Tudo isso, sob a orientação de uma política coordenada que vincule o planejamento urbano, o planejamento de transporte e o planejamento de circulação.
A prefeita de Maceió, Kátia Born (PSB), que presidiu mesa-redonda sobre o transporte na cidade do século 21, pregou ser necessário coragem para o combate do transporte clandestino, ao mesmo tempo em que considerou fundamental a manutenção do transporte formal.

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