Arquivo Folha‘‘Doce radical’’Em sua última entrevista, o escritor Antonio Callado definiu sua idade como ‘‘um horror’’. ‘‘Oitenta anos é a idade para o sujeito morrer, nada mais além disso’’

RIO - O escritor, dramaturgo e jornalista Antonio Callado, que completou 80 anos anteontem, morreu às 16h50 de ontem, no Hospital São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio, onde estava internado desde segunda-feira. Autor de ‘‘Quarup’’ e ‘‘Madona de Cedro’’, livros que foram adaptados para o cinema e a televisão, Callado era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Há mais de dez anos ele lutava contra um câncer de próstata.
O corpo do escritor está sendo velado na sede da ABL, centro do Rio, e será enterrado hoje, às 10 horas, no cemitério São João Batista.
Em entrevista publicada domingo na ‘‘Folha de S.Paulo’’, dia em que completou 80 anos, Callado definiu sua idade como ‘‘um horror’’. ‘‘Oitenta anos é a idade para o sujeito morrer, nada mais além disso.’’ Na mesma entrevista, fez um balanço de sua produção literária, considerando ‘‘Reflexos do Baile’’ seu melhor livro, embora acreditasse que, no futuro, será mais lembrado por ‘‘Quarup’’. ‘‘ ‘Quarup’ é um livro muito mais superficial e muito mais durável. Agora, o outro (‘Reflexos do Baile’) é muito melhor’’, disse.
Em seus livros, explorou temas políticos e sociais e chegou a ser chamado de ‘‘doce radical’’ pelo psicanalista e escritor Hélio Pellegrino. Ele defendeu que todo escritor deveria se engajar politicamente.
Callado foi amigo de pessoas ligadas a intelectualidade brasileira, como o pintor Cândido Portinari, de quem escreveu uma biografia há 40 anos, intitulada ‘‘Retrato de Portinari’’. Ele era casado havia 20 anos com Ana Arruda. Deixou dois filhos e quatro netos.

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