Não se assuste se um dia você procurar um médico por causa de dor na coluna e ele lhe receitar antidepressivos. Com a prática médica, descobriu-se (embora não se saiba ao certo por quê) que certos medicamentos usados no tratamento da depressão podem aumentar o limiar da dor no paciente, isto é, sua capacidade de suportá-la.
Substâncias como a venlafaxina (Efexos), a duloxeteína (Synvalta) e a mirtazapina (Remeron) modificam a percepção de estímulos dolorosos, tornando-os mais toleráveis. ''Elas corrigem eventuais desequilíbrios dos neurotransmissores serotonina e noradrenalina, que amplificam a sensibilidade à dor'', afirma a psiquiatra Nina Valente, de São Paulo.
''Cada vez mais, há consenso entre os médicos de que o tratamento da dor tem de ser multidisciplinar'', afirma a médica. O problema é que o assunto desperta muita resistência entre os pacientes. ''As pessoas ainda acreditam que a psiquiatria é uma especialidade para loucos ou fracos.''
Mas, além dos bons resultados da prescrição de antidepressivos para tratamento de dores físicas, os médicos vêm percebendo a forte ligação entre esses incômodos e o estado emocional do paciente. ''Pessoas mais pessimistas tendem a sentir mais dor. E, com dor, as pessoas ficam mais pessimistas.''
Há ainda a chamada ''dor psicossomática'': a dor existe sem que haja substrato orgânico, isto é, sem nenhuma causa física. O paciente pode reclamar de uma dor no joelho, por exemplo, e não haver nenhuma lesão ali. Antidepressivos não funcionam no tratamento de dores psicossomáticas - é um caso exclusivo para psicoterapia.(Agência Estado)

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