Anticorpos da mãe atingem o feto
A incidência do bloqueio átrio ventricular total (BAVT) - problema cardíaco que Gabriela apresentou em decorrência de lúpus neonatal - é de um para 20 mil nascidos vivos. Mas o caso dela, segundo a cardiologista pediátrica Márcia Thomson reforça a importância do diagnóstico precoce e da ecocardiografia fetal, que ainda não é feita rotineiramente. ''É isso que permite monitorar a criança durante a gestação e atendê-la logo após o nascimento. Os médicos têm que lembrar da possibilidade de lúpus'', alerta.
A cardiologista explica que, mesmo que o lúpus ainda não tenha se manifestado, os anticorpos da mãe passam pela placenta e atingem o feto. A doença pode causar lesões na pele, no sangue, no fígado e no coração. Nos três primeiros, as lesões são temporárias, mas, no coração, é irreversível.
No coração, os anticorpos causam uma cicatriz, que vai bloquear os estímulos elétricos que comandam a velocidade que ele bate. Assim, se o normal para um feto é de 140 a 160 batimentos cardíacos por minuto, aquele que tem o bloqueio, terá cerca de 50. Com o marcapasso, colocado ao nascer e que será trocado de acordo com o crescimento da criança, o coração é programado para ter batimento em torno de 130. ''Não vai ser um atleta, mas vai poder correr, brincar, andar de bicicleta, como qualquer criança'', enfatiza.
O problema pode ser descoberto em torno da 20 semana de gestação, através de ultrasson, exame obstétrico de rotina, ou ainda com a ecocardiografia fetal. Com o diagnóstico, é necessário acompanhamento quinzenal, e em alguns casos, o parto é adiantado para implantação do marcapasso.
''Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o tratamento'', avalia Márcia, lembrando que para a mãe também é importante porque muitas vezes ela ainda não sabe que tem lúpus e pode começar a tratar antes de apresentar sintomas. Em Gabriela, o diagnóstico precoce permitiu que a cirurgia fosse programada e feita no Hospital Universitário (HU) de Londrina logo após o nascimento. ''Agora ela é uma criança normal'', afirma a mãe.
Como o lúpus pode piorar durante a gravidez e causar problemas para o feto, a recomendação, segundo a reumatologista pediátrica Margarida Fernandes Carvalho, da UEL, é não engravidar quando a doença está ativa, para evitar o lúpus neonatal.(C.P.)





