Curitiba- Uma pesquisa desenvolvida por um cardiologista curitibano traz um novo alento a quem sofre com altos índices de colesterol. O chefe do serviço de emergência do hospital Constantini, José Rocha Faria Neto, desenvolveu um estudo que mostra a importância do sistema imunológico no combate a arteriosclerose, doença que causa o acúmulo de gordura nas artérias. A pesquisa foi realizada nos Estados Unidos, onde Faria Neto realizou seu pós-doutorado, e foi a segunda colocada no Prêmio Zerbini, organizado pelo Instituto do Coração (Incor) em São Paulo.
A influência do sistema imunológico no colesterol já vinha sendo alvo de interesse há algum tempo no meio médico. Antes de se fixarem às paredes das artérias, as moléculas de colesterol sofrem um processo de oxidação, que causa sua modificação. A partir deste momento, o colesterol passa a ser identificado como um corpo estranho ao organismo, promovendo a produção de anticorpos para combater o invasor.
Segundo Faria Neto, não se sabia se a criação de anticorpos efetivamente auxiliava no combate ao colesterol ruim ou se na verdade o processo químico aumentava a taxa de fixação do colesterol nas artérias. Utilizando camundongos geneticamente modificados com tendência para arteriosclerose, o cardiologista passou a injetar doses extras de anticorpos nos animais. ''Verificamos que efetivamente os anticorpos combatem o colesterol ruim, impedindo a criação de placas de gordura'', afirmou.
O cardiologista explica que os resultados da pesquisa podem possibilitar a criação de uma vacina contra a arteriosclerose. ''É um conceito interessante, porque sempre associamos as vacinas com as doenças infecciosas, o que não é o caso da arteriosclerose. Entretanto, ainda temos pelo menos uns dez anos de trabalho até chegarmos a possibilidade de uma vacina desenvolvida para humanos'', comentou.
Faria Neto pretende continuar as pesquisas no Brasil. ''Vamos passar a desenvolver os estudos com pacientes voluntários do próprio hospital Constantini, que irá fornecer a infra-estrutura necessária. Porém, para esse tipo de estudos precisamos de financiamentos significativos, que devem vir do governo'', explicou.

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