Antialérgico é usado com sucesso na prevenção da asma
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Lígia Formenti 
São Paulo, 05 (AE) - Um medicamento antialérgico começa a ser usado com eficácia para a prevenção de asma, doença responsável por cerca de 15% dos atendimentos em prontos-socorros infantis. De acordo com o professor de Alergia, Imunologia Clínica e Reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Charles Naspitz, a droga cetirizine, quando usada em crianças menores de 2 anos continuamente, pode reduzir os riscos do desenvolvimento da doença. "É uma grande notícia, principalmente quando consideramos os grandes prejuízos provocados pela asma ao paciente", afirma.
Os resultados de uma pesquisa multicêntrica, com 800 crianças, serão apresentados amanhã (06) pelo médico durante o Curso Internacional de Asma, Alergia e Imunologia Clínica, realizado na Unifesp. No estudo, 400 crianças foram tratadas com o antialérgico durante 18 meses. As demais receberam placebo. "Dos que tomaram placebo, 40% desenvolveram asma", diz. "Já entre as que tomaram o antialérgico, essa porcentagem foi bem menor: 20%". Indicação - A indicação da droga, no entanto, é restrita a crianças menores de 2 anos, com antecedentes familiares de asma, que apresentem eczema. "Essa doença é muitas vezes o primeiro estágio da marcha alérgica", diz o professor. Com o tempo, o paciente passa a apresentar rinite e, em uma etapa mais avançada
a asma.
Doença inflamatória crônica que provoca durante as crises tosse intensa, chiado e falta de ar, a asma está tornando-se cada vez mais frequente no Brasil e no mundo. Naspitz afirma que, no País, a prevalência da asma triplicou. Segundo um estudo coordenado pela Unifesp, em vários Estados do Brasil, em cada 100 crianças e adolescentes, 14 têm a doença. "Não há explicação clara ainda para esse aumento, mas acredita-se que a mudança no estilo de vida e nas moradias contribui para isso", afirma.
O médico diz, por exemplo, que atualmente as crianças passam mais tempo em ambientes fechados do que ao ar livre. "Em ambientes fechados, o contato com ácaros, pêlos de animais, poeira e, principalmente, fumaça de cigarro torna-se mais intenso, aumentando os fatores que podem desencadear as crises"
afirma.


