Brasília, 02 (AE) - Até poucos dias antes de assumir a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), o advogado Frederico Marés Filho não conhecia o sertanista Orlando Villas Bôas. Havia lido alguma coisa sobre sua história mas, mesmo assim, manteve a decisão de tirar-lhe o cargo de assessor da instituição criada pelo próprio sertanista. Agora, Marés que colocar um ponto final na questão. "Não vejo por que tanta confusão por causa de um DAS de valor pequeno", diz Marés. "É uma discussão tão pequena".
Marés também diz que não pretende telefonar para Villas Bôas, como fizeram diversas autoridades do governo federal, inclusive o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Por que tenho de ligar, se meu chefe já ligou ?", indaga Marés, referindo-se a Fernando Henrique. Marés justifica que o DAS-2 de R$ 1.300 que o sertanista tinha era "um empréstimo, um cargo benemérito", até que a pensão vitalícia fosse concedida, o que ocorreu no ano passado. "A pensão era incompatível com outro cargo público", afirmou o presidente da Funai, ressaltando que Villas Bôas poderia optar por qualquer um dos vencimentos, mas em seu fax apenas pediu o DAS-2. "Eu achava que ele ia me mandar uma carta pedindo sua exoneração".
Com 20 anos de carreira jurídica quase toda no Paraná, Frederico Marés, ao contrário de Orlando Villas Bôas, que passou 48 de seus 86 anos dentro das áreas indígenas, esteve pouco nas aldeias antes de ocupar a presidência da institutição. "Ia para resolver questões fundiárias", admite Marés, explicando que sua formação é jurídica. Segundo ele, seria deselegante falar sobre o sertanista, neste momento. "Alguém com mais de 20 anos na causa indigenista ouviu muita coisa sobre ele".
Mesmo reconhecendo que não esperava a repercussão negativa da demissão de Villas Bôas, Marés não pretende procurá-lo e nem mesmo ligar. "Não vejo mais motivos para tratar a respeito desse caso", diz Marés. Mesmo se encontrá-lo na rua, o tratamento, segundo o presidente da Funai, será normal. "Eu o cumprimentarei como a uma pessoa mais velha".
Método - O método usado por Frederico Marés na demissão de Orlando Villas Bôas é o mesmo que vem usando em relação a outras pessoas que ocupavam cargos de confiança. Assessores próximos confirmam que muitas exonerações foram feitas sem explicações. Há caso, segundo funcionários da Funai, no qual o exonerado só sabe que não ocupa mais a função quando chega ao local de trabalho.
A explicação seria a de que a medida evitaria que o demitido consiga apoio político para se manter no emprego. Marés é considerado um dos assessores mais próximos do ministro da Justiça, José Carlos Dias.

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