São Paulo, 09 (AE) - As companhias de telefonia fixa privatizadas - Telefônica, Telemar e Tele Centro Sul (TCS) - só têm um objetivo à frente: antecipar as metas de universalização e conseguir autonomia para atuar em todo o Brasil em qualquer segmento das telecomunicações a partir de 2002. Para a TCS, a aquisição da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) é estratégica. Se a CRT não antecipar as metas em linha com as outras sete operadoras que integram a região centro-sul, a TCS teme ficar de mãos atadas. A Telefônica - líder do grupo controlador da CRT - e a Telemar, por outro lado, poderão avançar rumo ao sul.
O Plano Geral de Outorgas, instrumento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que dividiu as áreas de operação e definiu o cronograma de abertura do setor, determina que uma holding de telefonia fixa privatizada só poderá atuar sem fronteiras quando as metas de expansão e de atendimento tiverem sido cumpridas em toda a região. Mas na Região II, em que opera a TCS, são também concessionárias a CRT, a Sercomtel e a CTBC. Na região I, da Telemar, a CTBC atua no triângulo mineiro. Em São Paulo, área da Telefônica, a CTBC está presente também, na região de Franca.
As metas que estão sendo antecipadas de 31 de dezembro de 2003 para meados do próximo ano incluem o fim da lista de espera, linhas residenciais disponíveis nos municípios com mais de 600 habitantes e a instalação do telefone em, no máximo, três semanas. Na cidade de Londrina, atendida pela Sercomtel, a lista de espera já não existe há anos. Na área da CRT, a demanda ainda não atendida é estimada em 700 mil. "Não sei dizer se o plano de investimentos da CRT prevê a antecipação das metas", afirmou o presidente da TCS, Henrique Neves. Ele declarou que a CRT não está atrasada no cumprimento das metas até o momento.
Mas o governo gaúcho denunciou nos últimos dias que a administração da Telefônica na CRT vinha reduzindo investimentos. Em 1999, a CRT investiu R$ 270 milhões, 40% desse montante na supressão da demanda, segundo relatório da empresa. A Telefônica programou investimentos de R$ 500 milhões para este ano na CRT. Em São Paulo, ao adquirir a Companhia Telefônica de Ribeirão Preto (Ceterp), a Telefônica passou a ter o controle sobre uma lista de espera estimada em 28 mil pessoas.
O diretor de assuntos regulatórios da TCS, Manoel Ribeiro, avalia que a Anatel talvez não faça uma interpretação do Plano de Outorgas muito restritiva - punindo empresas que anteciparam metas em função das que não o fizeram. Mesmo assim, segundo Ribeiro, é importante assegurar que as metas da CRT sejam antecipadas porque a empresa representa hoje um terço da planta telefônica da região II. "Se não forem cumpridas as metas, a CRT prejudicará muito o desempenho de toda a região", disse.
A estratégia da TCS é antecipar as metas para meados do próximo ano, assim como já anunciaram a Telemar e a Telefônica. A TCS, que encerrou 1999 com 5,2 milhões de linhas, pretende instalar mais 1,4 milhão este ano. Com a aquisição da CRT, a holding passará a ter 8,3 milhões de linhas em 2000, aproximando-se da dimensão das operações da Telefônica e da Telemar (8,2 e 10,5 milhões no final de 1999, respectivamente).
Para essas empresas, o mercado mais promissor é o de comunicação de dados, uma atividade que tem registrado crescimento médio de tráfego de 30% ao ano considerando as dez maiores operadoras do mundo, segundo o professor da Unicamp Márcio Wohlers. A expansão média do tráfego de voz é de 3% anualmente.
Neves revelou que os planos da TCS para 2002 envolvem, além da comunicação de dados, a telefonia móvel. "Até lá o mercado estará bastante ocupado", admitiu, referindo-se ao lançamento da Banda C do celular. Mas ressalvou que a telefonia móvel é um segmento que cresce muito. Já a possibilidade de expansão do serviço de telefonia fixa além das fronteiras da TCS vai depender de uma análise de momento. "Seremos a quinta operadora depois da empresa local, a espelho, a Embratel e a Intelig", disse. "Isso terá que ser avaliado".
O professor da Unicamp acredita que as holdings de telefonia vão enfrentar o chamado "grande paradoxo" com a abertura do mercado. "O que cresce mais é a comunicação de dados, mas o que dá mais dinheiro é a telefonia", disse. O tráfego de voz ainda representa 80% da receita das dez maiores operadoras internacionais , enquanto dados respondem por 20%.
"A tendência é a de diminuir a receita com voz, mas ainda é um grande negócio", afirmou. Segundo Wohlers, as companhias telefônicas daqui para a frente vão rever os planos de negócios a cada seis meses para maximizar a receita. Para aumentar a participação na comunicação de dados, um mercado muito competitivo, as empresas terão de se desdobrar na fidelização do cliente corporativo.

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