Brasília, 29 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso saiu hoje em defesa do ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, afirmando que foi "proposital" o anúncio antecipado da operação militar na região conhecida como Polígono da Maconha (que abrange estados do sertão nordestino).
"Foi de propósito que se antecipou, porque mais importante do que um operação de captura de suspeitos ou algum tipo de ação policial, era uma ação de afirmação da presença do Estado na região", afirmou Fernando Henrique, por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazire.
Segundo relatou o porta-voz, Fernando Henrique destacou que a ação múltipla - que mostrou a presença do governo Federal e governos estaduais e municipais, das Forças Armadas, da Polícia Federal, do Banco do Nordeste - foi importante para "tranquilizar a população".
O presidente lembrou que a população local já vinha sendo atendida, por meio do projeto Moxotó-Pajeú, que estimula a mudança do plantio de maconha para o plantio de culturas lícitas.
"Para dar à população, que já vinha recebendo ajuda do projeto Moxotó-Pajeú, a sensação de segurança e de apoio que é dada por essa operação", completou Fernando Henrique, segundo Lamazire.
"Na verdade, essa operação tinha tudo a ganhar de ser divulgada, como foi, até para que a própria mídia ajudasse a população local a se sentir segura e aderir à operação."
Segundo o porta-voz, o obejtivo da operação anunciada pelo general na semana passada, não era o de capturar os plantadores de maconha.
"A operação tinha um escopo mais amplo, que era o de tranquilizar a sociedade e facilitar a adesão local ao programa", comentou.
"E é bom lembrar que na região não vivem os grandes chefes do narcotráfico", disse, numa resposta às críticas de que a publicidade da operação deu aviso prévio aos que agem ilicitamente na região.
Lamazire argumentou ainda que a "parte silenciosa" da operação - que exigiria sigilo para prender os bandidos - já vem sendo feita desde junho deste ano, pela Secretaria de Inteligência da Presidência da República e pela Polícia Federal.
"Durante esse tempo todo foi feito o trabalho sigiloso e, feito esse trabalho, achou-se que era importante a divulgação", ponderou. "Mas não é possível que as pessoas achem que se cometeria isso por um lapso. Não. Foi proposital, foi uma estratégia", garantiu, insistindo: "Se fez isso com consciência; não foi um erro ou um lapso, ou um descuido".

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