Antecipação de 2ª parcela de empréstimo é possibilidade remota
Brasília, 03 (AE) - A antecipação da liberação da segunda parcela do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) foi considerada "muito remota" por fontes ligadas à negociação do acordo do Brasil com a instituição. O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que não há pressa na obtenção da segunda parcela, de US$ 4,5 bilhões. "Nós não estamos com problema de dinheiro, estamos com reservas altas", disse. "Ao não estarmos defendendo um câmbio fixo, a questão de ingresso de recursos perde essa importância." Ele tomou café da manhã com o vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, que decidiu prorrogar por mais um dia sua estada no País.
A segunda parcela do empréstimo de valor total de US$ 18 bilhões acertado com o FMI só deverá ser liberada ao Brasil no início de março. O nível confortável das reservas internacionais brasileiras, na casa dos US$ 36 bilhões, foi apontado por técnicos como uma das razões para não haver pressa no desembolso. Há, ainda, o prazo normal dos trâmites do FMI para liberar a segunda parcela.
A missão negociadora deverá permanecer no País até o final da próxima semana. Depois disso, serão necessárias mais duas semanas para concluir o relatório de avaliação - que embutirá as novas bases do acordo. A liberação depende, ainda, da aprovação do relatório pelo board do Fundo. A primeira parcela, desembolsada em dezembro, foi de US$ 4,5 bilhões. A segunda deverá ser de igual valor mas, dependendo das negociações, poderá ser superior, segundo informou o assessor de imprensa para América Latina do FMI, Francisco Baker.
Stanley Fischer deverá embarcar de volta a Washington na noite de amanhã. Sua programação inicial previa apenas dois dias no País. Porém, hoje pela manhã ele decidiu estender sua permanência, porque avaliou que não haveria tempo para cobrir todas as discussões agendadas. Não foram divulgados detalhes sobre as conversas de hoje. Fischer veio discutir regras para o governo brasileiro intervir no mercado de câmbio, a política de juros e os parâmetros para a revisão das metas do acordo.
Ele e a chefe da missão negociadora do FMI, Teresa Ter-Minassian, tomaram café da manhã no Palácio da Alvorada, com o presidente Fernando Henrique, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente indicado do Banco Central, Armínio Fraga. "Certamente, não foram falar sobre o tempo", comentou Baker. Segundo técnicos, eles teriam apresentado ao presidente, durante a reunião, os parâmetros gerais do novo acordo e algumas alternativas de mecanismos de intervenção do Banco Central no mercado de câmbio.
Um dos cenários que circulava hoje na área técnica da Fazenda era uma expectativa de inflação na casa de 10% e 12% neste ano, e uma retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%. Esses números, porém, apenas apontam a direção na qual as metas serão recalculadas. O ministro Pedro Malan já declarou que o governo lutará para manter a inflação em menos de 10% este ano. Antes da adoção do regime de flutuação cambial, a inflação projetada era de 2%, enquanto o PIB deveria cair 1%. A mudança do câmbio, no entanto, desenhou um outro perfil para o desempenho da economia brasileira.
Fischer e a missão do Fundo passaram o dia reunidos com técnicos brasileiros no quinto andar do Ministério da Fazenda, onde fica o gabinete do ministro da Fazenda, Pedro Malan. A exemplo do que ocorreu ontem, o futuro presidente do BC, Armínio Fraga, participou das conversas. Na terça-feira, as reuniões se estenderam até 22h30.





