Antarctica transfere produção de chope de Ribeirão para Jaguariúna
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terça-feira, 25 de janeiro de 2000
Por Kelly Lima 
Ribeirao Preto, SP, 25 (AE) - A Antarctica suspendeu a produção de chope em sua unidade de Ribeirao Preto, mercado que passou hoje a ser abastecido pela fábrica de Jaguariúna, na região de Campinas. A fábrica da Antarctica em Ribeirao já estava concentrando toda a produção de refrigerantes em garrafas de vidro e PET da marca desde de setembro de 1998.
O coordenador local da Antarctica, Geraldo dal Piccolo, informou que a decisão de manter ou não a produção de chope em Ribeirão estava em pauta desde o fim de 98, quando a empresa transferiu para Jaguariúna sua produção de cerveja, demitindo cerca de 300 funcionários.
O processo não teve relação direta com a fusão entre Brahma e Antarctica, que só ocorreu no segundo semestre do ano passado, resultando na criação da AmBev. "Esperávamos uma reação do mercado que sustentasse a manutençao da fábrica, mas essa reaçao veio ao inverso." Ele argumentou que o consumo nacional de cerveja e chope caiu 4% no ano passado.
Segundo Dal Piccolo, a empresa estava com capacidade ociosa porque, em 94, com a chegada do Plano Real, houve uma expectativa "superestimada" de que o mercado nacional cresceria uma média de 4% ao ano nos cinco anos seguintes. Passados seis anos, ele acredita que na verdade houve um decréscimo de pelo menos 10% deste mercado.
Na avaliação da Antarctica, a transferência da produção de chope se justifica porque a fábrica de Jaguariúna é mais moderna e tem o dobro da capacidade da unidade de Ribeirão.
"Na verdade o processo de produção é o mesmo que já é feito na unidade hoje para a fabricação da cerveja, mas uma serpentina parte para pasteurização por um período de 30 dias para a cerveja, enquanto outra parte para o processo reduzido para 10 ou 12 dias, para a fabricação do chope."
A choperia Pinguim, tradicional cartão postal de Ribeirão Preto, promete manter "o chopp o mais famoso do Brasil", apesar de a Antarctica ter transferido a fabricação do produto para a sua unidade de Jaguariúna. Até porque o sócio-proprietário da casa, José Paulo Ferreira, disse hoje que já havia alguns anos, o estabelecimento não comercializava exclusivamente o chope "made in Ribeirão", sendo abastecido também pelas unidades da Antarctica de Jaguariúna, do Rio e de São Paulo. Para surpresa de muitos frequentadores, Ferreira admitiu ainda que o "chope de fora" estava sendo servido não apenas nas novas filiais do Pinguim em dois shoppings da cidade, mas também nas duas tradiconais casas do centro.
"Nao há diferença no gosto, o que importa é o tratamento que damos à bebida quando ela chega na choperia e a forma como o chope chega ao copo do consumidor", argumentou Ferreira que anuncia para este ano a abertura de filiais em Belo Horizonte e São Paulo, com investimentos de R$ 4 milhões.
Inaugurada em 1945 pela cervejaria Antarctica, a choperia recebeu em 1964 - quando já era administrada pelo empresário Albano Cellini, hoje dono de outra casa de chope em Ribeirão Preto - investimento para a construção de uma câmara fria. A construção, que foi acompanhada por técnicos da Antarctica e contou com a instalação de bitolas e serpentinas especiais, é tida até hoje como o fator que diferencia a qualidade do chope servido pela casa.


