São Paulo, 06 (AE) - A Antarctica confirmou hoje que demitiu 97 empregados do setor administrativo de sua fábrica na Moóca, em São Paulo, e outros 18 ligados à produção em quatro fábricas no Rio Grande do Sul. Segundo a empresa, os cortes nada têm a ver com a fusão da companhia com a Brahma, que ainda está sendo analisada pelo Ministério da Justiça, mas sim com processo de restruturação iniciado em 1998.
Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), contudo, trata-se sim do início do enxugamento de quadros das fábricas, como resultado da fusão que dará origem à AmBev. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Bebidas da Grande São Paulo, Enoque da Costa Souza, a empresa, ao demitir, desrespeitou a determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) , de manter os empregados até julgamento do processo de união da Brahma e da Antactica.
A assessoria de Imprensa da Antarctica negou que esteja havendo desrespeito ao Cade. Além de o enxugamento estar desvinvulado da fusão, segundo a empresa, também a medida cautelar do Cade, de julho do ano passado, previa a manutenção do nível do emprego por 120 dias, apenas.
Ou seja, o prazo de proibição de fechamento de fábricas e de demissões teria expirado em novembro. Mesmo assim, informou a assessoria, as empresas estão dispostas a não tomar decisões dessa natureza até o julgamento da fusão, salvo em casos desvinculados do processo, como em reestruturações internas já previstas e em processos normais de rotatividade.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Siderlei Oliveira, afirmou que nas fábricas da empresa em Estrela e em Getúlio Vargas (ambas no RS) houve mais 30 demissões na última semana de dezembro. "Estão previstas mais dispensas a partir dessa sexta-feira ", informou Oliveira. A Antarctica negou a continuidade do processo de demissões e apresentou números diferentes. Teriam ocorrido não 30, mas 18 demissões: 2 na fábrica de Estrela, 7 na de Montenegro, 3 na de Canoas e 6 na de Porto Alegre.
A CUT notificou hoje mesmo o Cade e os governos do Estado de São Paulo e do Rio Grande do Sul sobre as demissões, segundo Oliveira. "Das 30 fábricas da Antarctica e da Brahma no País, pelo menos 14 correm o risco de fechar, com demissão de cerca da metade dos atuais 16 mil trabalhadores", afirmou. Tanto sindicatos quanto empresas esperam que até fevereiro seja conhecido o parecer da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça sobre a fusão das cervejarias e a criação da AmBev.