Ansiedade dos pais pode atrapalhar
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
Hoje, primeiro dia de aula nas escolas públicas do País, aqueles pais de primeira viagem devem conter sua ansiedade, para não atrapalhar o processo de adaptação das crianças no colégio. Este é, em geral, um momento delicado para pais e filhos. Não são raras as cenas de choro ou recusa da criança no momento da separação. Isso, quando não são os próprios pais que choram.
Eles têm de se mostrar seguros. Caso contrário, esse nervosismo todo é transmitido à criança e o processo de adaptação se torna mais difícil, afirma Marieta Lúcia Machado, professora de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). Para alguns, é difícil se conter. Já levei meu filho quatro vezes à escola onde ele vai estudar. Sei que estou exagerando um pouco, mas me preocupo muito em como ele vai reagir em um ambiente desconhecido, com pessoas estranhas, afirma a fonoaudióloga Edilene Marchini Boéchat, 38, sobre seu filho de um ano e sete meses. Estou tentando me conter, mas acho que tenho passado toda essa ansiedade para ele, afirma.
A chegada à escola pode causar à criança uma impressão de perda, como se ela não fosse mais voltar à vida familiar. As reações variam de acordo com a personalidade e a história de cada criança. Aquelas que não tiveram muito convívio social anteriormente ou que têm a companhia do pai ou da mãe durante a maior parte do dia, podem ter mais dificuldades.
Por isso, tanto os pais quanto as escolas têm de estar preparados para evitar que a experiência seja traumática para o aluno novo. O primeiro passo é levar a criança para conhecer o ambiente escolar antes do início das aulas, explicando o que vai se passar nos próximos dias. Já no primeiro dia de aula, é recomendável que a escola permita a presença do pai ou responsável ao lado da criança em tempo integral, participando das atividades.
Segundo Maria Clotilde Ferreira, coordenadora do Centro de Investigações sobre Desenvolvimento e Educação Infantil da USP de Ribeirão Preto (SP), o ideal é que haja pelo menos quatro dias de adaptação. Nesse período, o pai deve se distanciar gradualmente, até que a criança se acostume com a ausência completa e crie laços com a escola e com o professor.
Mas, não se deve prolongar muito esse processo, senão o aluno se apega cada vez mais ao pai e não consegue se soltar na escola. Segundo Clotilde, a criança costuma se integrar perfeitamente à escola em um mês. Se as dificuldades se prolongarem muito, é hora de o pai checar se há algo no colégio que está deixando a criança insatisfeita. Por parte da escola, o processo de adaptação deve contar com uma atenção especial e individual aos novos aluninhos.
No momento da manha, atividades que distraiam a criança - pintura, bolhas de sabão, teatro de fantoches - são os recursos mais utilizados.


