Ansiedade afeta 5% das pessoas
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quarta-feira, 27 de março de 2002
Agência Estado 
Rio - Especialistas em distúrbios psiquiátricos reunidos no Rio alertaram para a necessidade de diagnosticar mais os casos de ansiedade generalizada (AE), um mal que atinge cerca de 5% da população mundial, mas que é esquecido pelos médicos brasileiros.
Os sintomas dessa doença são preocupação, ansiedade e nervosismo em excesso, os mesmos registrados na conhecida síndrome do pânico. A diferença é que, na AE, esses sintomas são crônicos.
No congresso Novas Perspectivas em Distúrbios Psiquiátricos, encerrado ontem no Rio, os médicos destacaram a importância do diagnóstico da ansiedade generalizada para evitar que os doentes também sofram de depressão, comum nesses casos.
Segundo Flavio Kapczinski, professor de psicofarmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), pesquisas internacionais revelam que a AE é tão séria que consegue incapacitar muitas de suas vítimas. Cerca de 30% dos doentes acabam deixando o trabalho e se tornam dependentes do sistema previdenciário e outros 30% não conseguem manter um relacionamento estável por muito tempo. Essas pessoas são tão preocupadas com sua segurança, seja física ou financeira, que não conseguem ter prazer em nada, completou o médico.
Avanço - Os doentes de AE - que geralmente são tratados com antidepressivos - ganharam uma nova droga que está sendo comemorada pelos médicos. O Stablon, como é chamado comercialmente, tem a capacidade de ajudar na reconstrução dos neurônios destruídos com o pânico e com o estresse. Seu criador, o médico inglês Michael Spedding, também participou do encontro no Rio. Segundo ele, um estudo em ratos mostrou que a substância teve sucesso em reconstruir a área do cérebro dos animais afetada pelo estresse. Sabemos que, nessas doenças, uma região do cérebro (o hipocampo) encolhe porque, quando uma pessoa fica muito estressada, ela dá início a um processo de destruição dos neurônios. Conseguimos criar uma molécula que ajuda o cérebro a restaurar essa atrofia e já mostramos que isso funciona em ratos, contou Spedding.


