Brasília - A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) colocará em consulta pública, a partir desta quarta-feira, duas resoluções para tentar diminuir o número de cesarianas na rede privada, especialmente entre os planos de saúde, que chega a 84,6% dos partos, em dados de 2012. Uma das medidas permitirá que as mulheres, grávidas ou planejando engravidar, recebam dos planos as estatísticas de cada médico obstetra, com o número de partos normais e de cesáreas realizadas. Também passará a ser obrigatório o preenchimento do partograma, um documento em que são colocadas hora a hora as informações sobre o avanço do trabalho de parto.
"Sabemos, inclusive por casos próximos, da dificuldade que muitas mulheres têm de encontrar profissionais que façam o parto normal. Essas medidas pretendem dar mais informações às mulheres", afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. As informações serviriam para que as mulheres pudessem optar por um médico mais inclinado a atender o pedido pelo parto normal. Já o partograma - que já existe hoje, mas passaria a ser um dos documentos de entrega obrigatória à paciente no momento do pagamento - permitirá uma fiscalização sobre médicos e hospitais que realizam demasiadamente os partos cesáreos. De acordo com Chioro, será possível, através do documento, verificar se um médico realizou uma cesariana desnecessária.
Uma terceira resolução é a adoção, pelas operadoras, de uma caderneta da gestante, nos mesmos moldes da usada hoje no Sistema Único de Saúde. Nela, os médicos terão de colocar todas as informações do pré-natal. Ao mesmo tempo, será incluída uma carta com todas as informações sobre os riscos de parto cirúrgico, como o aumento em 125 vezes do risco de parto prematuro. "É uma estatística feia, mas o Brasil é hoje o campeão mundial dos partos cesariana", afirmou o representante da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), Joaquim Molina.
Em média, 55,6% dos 2,9 milhões de partos realizados anualmente no País são cirúrgicos, mas essa média só baixa porque no SUS eles representam 40%. Um número ainda considerado alto, mas inferior ao índice de 84,6% dos realizados por planos de saúde.

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