Rio, 30 (AE) - A Agência Nacional de Petróleo (ANP) anunciou hoje que vai licitar mais 23 blocos para a exploração de petróleo e gás até o segundo trimestre de 2000. A Agência aumentou o número de áreas em terra que serão oferecidas em relação à primeira rodada de leilões, feita em junho deste ano. Na Bacia de Santos, onde foi descoberto recentemente um megacampo de petróleo pela Petrobras, vão ser leiloados cinco blocos - 41% da área total oferecida, de 59 mil quilômetros quadrados.
"Santos talvez será a vedete", admitiu o diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn. Ele explicou que serão oferecidas 10 áreas em terra - enquanto que na primeira rodada foram quatro - como forma de atrair o interesse de empresas brasileiras, porque o investimento custa menos do que em campos marítimos. A ANP também vai tentar atrair operadoras estrangeiras de menor porte para a segunda rodada - e por este motivo, no roteiro de apresentações do segundo leilão, foi incluída a cidade de Calgary, no Canadá.
Incentivos - Segundo Zylbersztajn, a alta do preço do petróleo e a descoberta de um megacampo no Irã, nesta semana, podem ser um incentivo para a participação das empresas no leilão. Ele explicou que se o preço do barril no mercado internacional ficar acima do patamar de US$ 12, as empresas vão ter dinheiro para novos investimentos.
Zylbersztajn disse, no entanto, que a elevação do preço do barril não vai ser levada em conta na fixação dos valores do bônus de assinatura - o "preço mínimo" das áreas - e em outras regras do leilão. "A subida de US$ 12 para US$ 25 aconteceu em três meses, não há garantia de que daqui há três meses não fique em US$ 12 de novo", argumentou. Em relação ao Irã, o diretor da ANP avaliou que o novo campo aumenta a dependência mundial do petróleo produzido pelo Oriente Médio. "É mais um motivo para procurar óleo fora da região, politicamente conturbada", afirmou.
Devolução - Dos blocos oferecidos na segunda rodada, 12 eram da Petrobras e foram devolvidos este ano à ANP: cinco na Bacia de Sergipe-Alagoas, quatro na Bacia de Campos e mais três na Bacia do Recôncavo, na Bahia. Seis blocos marítimos estão em águas rasas, e sete, em águas profundas. Três que foram oferecidos mas não leiloados na primeira rodada ficaram de fora desta nova licitação.
O superintendente de Exploração e Pesquisa da Petrobras, Carlos Alberto Oliveira, afirmou que a estatal ainda vai estudar os dados dos novos blocos para decidir se participa da segunda rodada de licitações. Nos blocos das bacias de Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Camamu-Almada existem campos antigos de poços perfurados pela estatal.
O diretor afirmou que estes poços foram abandonados por serem considerados "marginais", mas devem servir de incentivo para a disputa, por representarem um indício forte de gás e petróleo nas áreas.
Shell - O presidente da Shell Brasil, David Pirret, confirmou que a empresa tem interesse em participar da segunda rodada de licitações da ANP. Segundo Pirret, a empresa tem maior atenção para os blocos em áreas profundas, "onde detém mais tecnologia". Mas a companhia só poderá detalhar seus planos para o leilão após conhecer os blocos que serão leiloados e a data exata da licitação, afirmou.

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