Rio- A Agência Nacional do Petróleo (ANP) admite retomar as pesquisas do subsolo da Bacia do Paraná, caso a análise do petróleo encontrado pela Sanepar em Joaquim Távora (53km ao sul de Jacarezinho) seja positiva. A região, no entanto, não será incluída na sétima rodada de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo no País, marcada para outubro. A bacia já teve áreas licitadas nos três primeiros leilões realizados pela ANP, em 1999, 2000 e 2001. No primeiro, não houve ofertas para os três blocos ofertados. Na segunda, a americana Coastal - depois comprada pela compatriota El Paso - levou a única área oferecida por R$ 4,68 milhões. A área, porém, foi devolvida à ANP quatro anos depois. Na terceira rodada, as áreas da Bacia do Paraná também encalharam.
A Petrobras tinha um bloco exploratório na Bacia do Paraná, chamado BPAR-10, concedido antes do fim do monopólio estatal. Parte do projeto foi vendido à mesma El Paso, que também optou por devolver a área, em 2003. A ANP informou que, mesmo que o petróleo encontrado pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) pertença a uma jazida comercial, a estatal paranaense não deterá os direitos sobre as reservas, que só pode ser concedida em leilões, segundo prevê a nova Lei do Petróleo. O proprietário do terreno onde o petróleo foi encontrado tem direito a uma compensação mensal, equivalente a 1% sobre a receita da venda das reservas.
Alheios ao processo de licitação para exploração do ''ouro preto'', os habitantes de Joaquim Távora, sobretudo os cerca de 1.500 (15% da população total) moradores do distrito de São Roque do Pinhal, estão com a expectativa em alta desde que a Sanepar foi abrir um poço artesiano e encontrou petróleo. Agora, todos aguardam resultados de análises que devem ser realizadas sob comando da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Mesmo porque há algumas décadas já foram feitas pesquisas na região, com perfurações que chegaram a 2.300 metros sem resultados satisfatórios.
Desta vez, não precisou chegar a tanto. Segundo o gerente de hidrogeologia da Sanepar, João Horácio Pereira, a perfuração foi de 300 metros, no fim do ano passado. Quando retornaram alguns dias depois, havia uma camada de cerca de um metro de um óleo bastante viscoso. O material foi enviado ao Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), que informou, no dia 18 de março, tratar-se de petróleo.
O prefeito Willian Walter (PSL) não esconde a satisfação com as perspectivas que se abrem. ''Não será bom apenas para o nosso município, mas para toda a região'', afirma. ''Estamos torcendo para que as pesquisas mostrem que as proporções são grandes e que há condições de exploração.''

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