Ano Novo começa com reocupações no Paraná
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sexta-feira, 04 de janeiro de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Primeiro de Maio - O ano novo no Paraná começou já com indícios de que as pressões no campo vão persistir. Entre as últimas horas do ano passado e os primeiros dias de 2008, duas fazendas do norte paranaense - em Primeiro de Maio e em Rio Branco do Ivaí - que já tinham sido alvo de invasões foram reocupadas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Conforme a Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), existem atualmente 85 áreas ocupadas em todo o Estado.
A Fazenda Coopersucar, na zona rural de Primeiro de Maio, foi reocupada na madrugada de ontem. Voltada ao cultivo de soja e criação de gado, a área de cerca de 180 alqueires já havia sido invadida em 7 de setembro do ano passado por cerca de 60 agricultores sem-terra. Naquela ocasião, a Polícia Militar apreendeu uma arma e deteve dois homens, que foram liberados após prestar depoimento à Polícia Civil. A desocupação aconteceu dois dias depois de forma pacífica.
Desocupada entre 18 e 19 de dezembro de 2007 por aproximadamente 500 homens da Polícia Militar que deram cumprimento à uma ordem judicial de reintegração de posse, a Fazenda Mestiça, em Rio Branco do Ivaí, também teria sido novamente ocupada na madrugada de 30 de dezembro por aproximadamente 300 famílias de agricultores ligados ao MST. A coordenação do movimento na região confirmou a informação, mas argumentou que não havia apurado ainda as razões que teriam levado os trabalhadores de volta à propriedade. A Polícia Militar monitora a situação.
A área de 1.250 alqueires havia sido invadida no início de setembro. Em novembro, a Polícia Militar tentou cumprir a ordem de retirada das famílias, mas numa negociação entre as lideranças e o governo do Estado, adiou a desocupação para dezembro. No entanto, os agricultores que ocupavam a fazenda só aceitaram sair após acordarem que seriam indenizados pelo que haviam plantado nas terras.
A assessoria do Incra, em Curitiba, informou que em relação à Coopersucar, que pertenceria a um grupo de São Paulo, não há nenhum processo de avaliação ou compra em andamento. Já em relação à Mestiça, o Incra reafirmou que tinha interesse em adquirir a área, classificada como produtiva, mas a proprietária não pretende vendê-la.
Sendo assim, o instituto esclareceu que não teria poderes para adotar outras medidas. Segundo o órgão, existem hoje no Estado 85 propriedades rurais ocupadas por trabalhadores sem-terra.
Por seu lado, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), responsável pelas desocupações, não informou quantas já haviam obtido ordens para reintegração de posse.
A FOLHA tentou falar por telefone com os advogados ou representantes das fazendas invadidas, mas não conseguiu localizar ninguém. A sede do MST em Curitiba também foi procurada. Uma funcionária informou que todos estariam em férias e só retomariam suas funções na próxima semana.


