Ano letivo paulista começa com improviso e tensão
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domingo, 07 de fevereiro de 1999
Por Gabriela Athias 
São Paulo, 07 (AE) - O ano letivo começa amanhã (08) em clima de tensão na rede pública paulista. Na periferia, as escolas municipais terão de acomodar, de forma improvisada, alunos nos escritórios da administração e em outros cômodos, que não dispõem de mobiliário escolar, por, pelo menos 45 dias. Enquanto isso, seus professores ameaçam fazer greve, caso não recebam até o fim do dia o salário de janeiro.
Na rede estadual, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), lançou hoje uma campanha na televisão contra o autoritarismo da Secretária de Estado, Rose Neubauer, e o professor Santo Siqueira prossegue pelo 13º dia consecutivo em greve de fome na frente da secretaria para protestar contra uma punição que o suspendeu por 90 dias, sem remuneração.
Santo está sendo punido por ter feito, sem autorização da Fundação para o Desenvolvimento Educacional (FDE), uma obra considerada irregular pelos engenheiros da Secretaria, arriscando a segurança dos alunos.
Por outro lado, 95% das 6 mil escolas da rede estadual já receberam os 12 milhões de livros didáticos comprados pela Secretaria (em anos anteriores, os livros chegaram a atrasar por até cinco meses), e duas mil escolas de 5ª série ao ensino médio foram equipadas com laboratório de informática.
"Em anos anteriores, os dirigentes sindicais costumavam dizer que os salários eram baixos e que a qualidade do ensino era ruim", diz o secretário adjunto, Hubert Alqures. "Eles precisa ter uma bandeira e escolheram a do autoritarismo, mas a Rose é a secretária que mais compareceu à Comissão de Educação (na Assembléia Legislativa) e que mais recebeu sindicalistas em audiência", completa Alqueres.
Improvisação - Dos 880 mil alunos matriculados no ensino fundamental do município, pelo menos 12 mil são considerados "excedentes" - crianças matriculadas além da capacidade das escolas. Como as 300 classes emergenciais pré-fabricadas encomendadas pela Secretaria não ficaram prontas, esses estudantes terão de ser acomodados em outros espaços do colégio, até que a situação seja regularizada.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação, 120 classes ficarão prontas até o fim deste mês e as outras 180 serão entregues nos últimos dias de março. Essas salas são pré-fabricadas e têm capacidade para receber 35 alunos. Enquanto esses módulos não ficam prontos, a lotação das classes existentes ficará, segundo a assessoria, será de 40 crianças.
Além da falta de espaço para acomodar parte dos alunos, os professores municipais exigem que o prefeito Celso Pitta volte a pagar salários até o último dia útil do mês, como vinha sendo feito desde 1976. Na quarta-feira, cerca de mil manifestantes protestaram na frente da secretaria contra a mudança na data do pagamento, que foi retardada para o 5º, 6º e 7º dias últeis.
A operação volta às aulas envolve 6 milhões de alunos e 200 mil professores da rede estadual. No âmbito municipal, 909.837 alunos (entre educação infantil e ensino fundamental) voltam para a escola. A Secretaria de Estado informou que dará prosseguimento a projetos já iniciados, como o Sistema de Avaliação e Rendimento Escolar (Saresp) e as classes de aceleração (espécie de supletivo do ensino fundamental).


