Annan dá boas vindas ao bebê número 6 bilhões em Sarajevo
Sarajevo, Bósnia, 12 (AE-ANSA) - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, deu hoje as boas vindas ao bebê que elevou a 6 bilhões a população mundial e que nasceu três minutos depois da meia noite na cidade de Sarajevo, símbolo do horror da guerra e da esperança de reconstrução.
"O nascimento hoje do habitante número 6 bilhões do planeta, um belo menino - disse Annan, ao tomar o bebê em seus braços - em uma cidade que volta agora à vida, reconstruindo suas casas, em uma região que reencontra a cultura da coexistência depois de uma década de guerra, deve iluminar o caminho da tolerãncia e da compreensão dos povos".
Ao lembrar que o nascimento do "bebê 6 bilhões", transcende a região, Annan acrescentou que "o mundo está se transformando com um crescimento da população que se duplicou nos últimos 40 anos".
"A metade da população mundial tem hoje uma idade aproximada de 25 anos e o desafio de nutrir, vestir e alojar esta imensa massa de humanidade na próxima década será enorme", afirmou Annan. Segundo ele, os meios para vencer este desafio existem, mas "a questão é saber se teremos vontade suficiente".
"Das 4.8000.000.000 pessoas que vivem nos países em desenvolvimento, quase três quintos carecem dos serviços higiênicos básicos, quase um terço não tem água potável, um quarto não dispõe de casas adequadas e um quinto não tem assistência médica", acrescentou.
"O desafio da jornada dos "seis bilhões", sustentou Annan, é cumprir com a promessa de nossa época de dar a cada homem, mulher e criança, a esperança de desenvolver a maior parte de suas capacidades com dignidade e segurança. Para o bem-estar do bebê em Sarajevo e de todos os que o seguirem, nos comprometemos com esta nobre causa".
O bebê que nasceu em Sarajevo pesando 3,55 quilos, é filho de Jasminko e Fatima Mevic, uma família muçulmana de Visoko, pequena localidade a 20 quilômetros ao norte de Sarajevo.
O secretário-geral da ONU deu uma medalha ao bebê, um ramalhete de flores para a mãe, e 50.000 dólares para a maternidade do hospital de Sarajevo.
"Nem a horrível guerra, nem o assédio impiedoso da cidade, nem a política desumana da limpeza étnica conseguiram impedir outros nascimentos em Sarajevo, destacou Annan.
A guerra da Bósnia, de 1992 a 1995, transformou mais da metade dos habitantes do país em refugiados. O saldo de vítimas é atroz: 1.650 crianças mortas em Sarajevo, 17.000 em toda a Bósnia e 35.000 órfãos.
Aida Tankosic, uma funcionária do hospital de 43 anos, disse que as homenagens eram uma honra, mas que ela não conseguia perdoar as Nações Unidas por terem assistido a morte de centenas de crianças na região durante quatro anos sem nada fazer.
Ao visitar um orfanato, Annan confessou que tinha muitos arrependimentos sobre o desempenho das Nações Unidas durante a guerra da Bósnia. "Nós traímos vocês", disse ele às crianças, enquanto distribuía camisetas para marcar o evento. "Espero que vocês não façam o mesmo."





