Anna Paula também prefere analisar sua história mais pelo ''lado humano'' do que pelo que representou de avanço da medicina. ''Ter sido a primeira representa esperança'', diz. ''Significa que eu sou real e que o sonho das mulheres que ligam para cá também pode ser real.'' Mas ela é contrária à idéia de clonagem humana. ''Ninguém pode brincar de ser Deus'', afirma. ''Não é algo que beneficie a humanidade.''
Segundo o professor de Reprodução Humana da Universidade Federal do Paraná, Karam Saab, depois da fertilização in vitro (FIV), o segundo marco é a injeção intra-citoplasmática de espermatozóide (ICSI), de 1990, que possibilita selecionar um espermatozóide e colocá-lo no óvulo. Com técnica mais sofisticada, ela pode, teoricamente, auxiliar um número maior de pessoas.
A FIV é aconselhada para mulheres com problemas na trompa. No entanto, em 50% dos casos a cirurgia resolve o problema. Já a ICSI é focada nos homens com espermatozóides ''fracos'', que não conseguem penetrar no óvulo. Desses, apenas 30% são solucionados com cirurgia ou medicamentos.
O professor da UFPR tem trabalhado na simplificação das técnicas, reduzindo a quantidade de medicamentos e os custos em até cinco vezes. Segundo Saab, algumas vezes a pessoa gasta mais de R$ 5 mil somente em medicamentos para melhorar a ovulação. Com a simplificação, esse passa a ser o custo de todo o tratamento. A maior exigência, nesse caso, é uma qualidade laboratorial superior. ''Com mulheres até 43 anos temos tido bons resultados'', afirma Saab. Ele calcula que no Brasil já tenham nascido 5 mil crianças fertilizadas in vitro e 300 mil em todo o mundo.

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