"Anjo Louro" sentenciado por tentar justificar guerra suja
"Anjo Louro" sentenciado por tentar justificar guerra suja9/Mar, 16:10 Buenos Aires, 09 (AE-AP) - Um juiz federal sentenciou um ex- oficial da Marinha argentina a três meses de prisão, com direito a sursis, por comentários publicados numa revista nos quais ele dizia não lamentar os abusos dos direitos humanos cometidos durante a ditadura de 1976 a 1983. O ex-capitão Alfredo Astiz, conhecido como "Anjo Louro", foi chamado ao tribunal para questionamento depois de ter declarado numa entrevista em 1998 à revista Trespuntos que não sentia "nem um pouco" de remorso pelos crimes contra "subversivos" na ditadura militar. Astiz disse orgulhosamente à revista que "era a pessoa mais bem preparada para matar um político ou um jornalista... A Marinha me ensinou a destruir, plantar bombas, me infiltrar e matar". Astiz não quis falar a repórteres depois que o juiz de Buenos Aires o sentenciou por tentativa de justificação dos hediondos crimes contra os direitos humanos. Grupos de direitos humanos acusam Astiz de ter chefiado uma das várias equipes da Marinha responsabilizadas por sequestros de supostos esquerdistas e de outros dissidentes, que muitas vezes foram torturados e executados. Em 1990, um tribunal francês julgou Astiz à revelia e o sentenciou à prisão perpétua pelo assassinato em 1977 das freiras Alice Domon e Leonie Duquet. As duas eram ativistas dos direitos humanos. Beneficiado por uma imunidade oferecida pelo presidente Carlos Menem a todos os militares de média e baixa patentes, Astiz não pode ser julgado por abusos dos direitos humanos na Argentina. Ele não admitiu nenhum homicídio, mas reconhece que foi treinado para cometer assassinatos políticos. Segundo um relatório oficial do governo argentino, 9.000 pessoas foram mortas ou desapareceram durante a guerra suja, mas grupos de direitos humanos sustentam que o número chega aos 30 mil.





