A abertura simbólica de um poço de petróleo na Boca Maldita, em Curitiba, ontem pela manhã, e a apresentação de uma sátira musical fez os curitibanos se lembrarem do primeiro ano do maior desastre ecológico no Paraná.
Mas a maior parte dos transeuntes que parou no local para conferir a performance dos três artistas em ‘‘comemoração’’ ao primeiro aniversário do acidente provocado pela Refinaria Getúlio Vargas já nem se lembrava mais do desastre ambiental. ‘‘Brasileiro tem memória curta. A gente só lembra quando o fato acontece porque é noticiado nos veículos de comunicação. Quando a mídia pára de divulgar o assunto cai no esquecimento’’, comentou a pedagoga Juliana de Souza.
Para a estudante Mariana Sanches, que também não se lembrava mais do acidente, através da ‘‘ironia, os artistas conscientizaram a população sobre o problema, que é grave, e ainda não foi solucionado’’, afirmou.
Segundo o ator Marcos Zanatta, um dos responsáveis pelo evento, a manifestação foi um protesto contra o descaso e uma forma de lembrar a sociedade sobre a necessidade de se cobrar ações preventivas contra acidentes ambientais.
‘‘Pare de pensar em vazamento. Quer água para beber? Vá no supermercado. Pequenos desastres como o derramamento deste precioso líquido preto nas cristalinas águas dos rios pra quê lembrar? Pare de pensar em vazamento. Todas as crianças vão gostar de rolar no óleo. Sim é brincadeira extracurricular’’ cantavam os artistas Richard Rebelo, Nélio Sprea e Marcos Zanatta.
A manifestação foi promovida por organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas, sindicatos e entidades representativas da sociedade civil. (Erika Wandembruck)

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