Aniversário da queda de Suharto é marcado por violência
Jacarta, 21 (AE-AP) - No primeiro aniversário da queda do ditador Suharto, tropas indonésias dispararam tiros de advertência para o alto e bombas de gás lacrimogêneo em uma tentativa de dispersar milhares de manifestantes que marchavam hoje (21) em direção à sede do Parlamento, em Jacarta.
Este foi o pior incidente de violência registrado nas ruas da capital nos últimos três meses e ocorre dois dias depois da abertura oficial da campanha para as eleições parlamentares de 7 de junho.
Suharto, por sua vez, marcou a data negando calmamente alegações de que tenha pilhado os cofres indonésios durante seus anos no poder, e desmentindo informações de que ele teria deixado o país.
"Eu nunca deixarei a Indonésia. Eu nasci na Indonésia e morrerei na Indonésia", disse Suharto em uma entrevista à televisão.
Enquanto isso, nas imediações do prédio do Parlamento, a polícia tentava conter os estudantes a balas e com bombas de gás lacrimogêneo. Em resposta, os manifestantes atiravam pedras e paus contra as tropas.
Após uma breve pausa, os cerca de 2.000 manifestantes rapidamente se reagruparam. Pelo menos três policiais e um número não especificado de estudantes ficaram feridos. Ainda não está claro que tipo de bala foi usada pelos policiais.
A manifestação de hoje em Jacarta não se resumiu às imediações do Parlamento. Cerca de 300 estudantes tentaram marchar até a residência do sucessor de Suharto, B.J. Habibie, mas foram contidos pela polícia. Habibie não estava em casa.
Também em outros pontos do arquipélago, a polícia reprimiu manifestantes que comemoravam a queda de Suharto, cujo regime de 32 anos chegou ao fim em 21 de maio de 1998, culminando uma onda de protestos nacionais que resultaram na morte de 1.200 pessoas só em Jacarta.
Atualmente, o governo indonésio investiga Suharto sob as alegações de que ele e sua família se apropriaram de cerca de US$ 15 bilhões dos cofres públicos enquanto esteve no poder.
Também hoje, o ministro de Estado, Muladi, informou que a data do referendo sobre o futuro do território indonésio de Timor Leste foi postergada em um dia para 7 de agosto para evitar um feriado cristão.
O referendo dará aos timorenses a chance de se tornarem autônomos ou independentes da Indonésia, país predominantemente muçulmano.





