Aniversário da democracia alemã é comemorado discretamente
Berlim, 24 (AE-AP) - O cinquentenário da democracia da Alemanha pós-guerra foi celebrado hoje (24) discretamente, num sinal de que o passado nazista do país está ficando cada vez mais distante.
Para muitos alemães, a oportunidade de refletir sobre o período de grande desenvolvimento econômico do país foi ofuscada pela campanha da Otan contra a Iugoslávia, que resultou na primeira participação da Alemanha em combates desde a Segunda Guerra Mundial.
Em uma cerimônia solene no histórico Reichstag, a recém-reformada sede do Parlamento, o presidente Roman Herzog insistiu que a Alemanha tem a obrigação de lutar pelos direitos humanos em Kosovo, a fim de mostrar que aprendeu as lições deixadas pelo nazismo.
Os direitos humanos "também devem ser postos em prática e, como último recurso, impostos", declarou Herzog, que fazia o último discurso importante de seus cinco anos de mandato.
Há 50 anos, quando a Constituição do pós-guerra entrava em vigor na então Alemanha Ocidental, o país, segundo Herzog, transformava-se em uma nação "tolerante, cosmopolita e bem-sucedida".
A Alemanha de hoje está embarcando numa nova fase de transição. Uma geração de líderes políticos sem memórias particulares da Segunda Guerra Mundial ascendeu ao poder e a volta do governo a Berlim, seu berço histórico, encontra-se em plena execução.
Herzog diz que os alemães precisam preservar as lembranças "da perseguição e dos assassinatos em massa, da guerra e das deportações" que marcaram a vida dos fundadores da república após a Segunda Guerra. "É nossa obrigação perante a História", ressaltou Herzog, que, durante seu governo, instituiu o dia da memória do Holocausto.
Assim com fez repetidamente nos últimos anos, o presidente exortou os alemães a deixar a porta aberta para as mudanças sociais e econômicas, a trabalhar mais e a contar menos com a segurança dos benefícios sociais do governo.
A realização da cerimônia no Reichstag simbolizou o advento das mudanças na Alemanha. Até o fim do ano, o governo voltará definitivamente de Bonn para Berlim, a capital ocidental da Guerra Fria na era do comunismo.
Eleito no fim de semana como o novo presidente, Johannes Rau, um social democrata de 68 anos, convocou os alemães a ser "bons vizinhos na Europa e no mundo".
Para muitos analistas, a discrição adotada nas celebrações de hoje é um sinal de que o passado nazista da Alemanha está cada vez mais distante e que a economia é a principal preocupação do alemão moderno.
De acordo com uma pesquisa sobre o assunto publicada hoje pelo jornal Die Welt, apenas 21% dos alemães demonstraram estar satisfeitos com a prosperidade do pós-guerra e 15% afirmaram estar muito satisfeitos.
Segundo o mesmo levantamento, a paz social foi citada como a maior vantagem adquirida no período por 45%, mas apenas 29% citaram a democracial como principal conquista.





