Todos os conflitos agrários ocorridos no Paraná estão sendo monitorados pela Anistia Internacional. A entidade vai manter um representante estrangeiro acompanhando o desenrolar dos casos de violência registrados no Estado. A pesquisadora Alison Sutton, do Secretariado Internacional da Anistia Internacional, avisa que caso o governo não solucione casos de agressões e assassinatos no campo, a instituição vai mobilizar os seus associados no mundo inteiro para pressionar o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Jaime Lerner.
Uma das principais críticas da instituição à política agrária paranaense é a omissão do governo estadual em solucionar os conflitos existentes. ‘‘Não existe empenho do governador em acabar com as milícias armadas existentes no Estado’’, afirma a pesquisadora inglesa. Para ela, essa ‘‘imobilização’’ do governo acaba legitimando as ações agressivas de ‘‘jagunços contra os trabalhadores sem-terra’’.
Outra suspeita da pesquisadora é a presença de policiais em milícias armadas pelos fazendeiros. De acordo com ela, até o momento a Anistia Internacional não tem provas que confirmem essas ações. ‘‘Mas, pela quantidade de reclamações e depoimentos testemunhais, ao menos o governo estadual deveria investigar mais profundamente, pelo menos para responder essas versões’’, diz.
Alison afirma que a instituição decidiu mandar um representante estrangeiro para o Brasil, a partir da morte de Eduardo Anghinoni. A pesquisadora vai acompanhar todas as investigações sobre agressões e mortes de sem-terra registradas desde 1997. O resultado de cada investigação, em funcionamento ou não, servirá de base para o relatórios mensais sobre o conflito no Paraná. ‘‘Com base neles, serão mobilizados os associados de todo o mundo’’, avisa. (I. R.)

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