Londres, 7 (AE-ANSA) - A organização humanitária Anistia Internacional e representantes do Partido Trabalhista britânico rechaçaram hoje a defesa que a ex-primeira-ministra inglesa conservadora Margaret Thatcher fez de Augusto Pinochet, alegando que o ex-ditador não está preso por razões políticas, mas sim por acusações de tortura.
A Anistia Internacional, cuja sede é em Londres, declarou que os argumentos de Thatcher a favor de Pinochet "não são apenas irrelevantes, mas entram em conflito com a lei britância", e destacou que a prisão a pedido da justiça espanhola não é um assunto político, mas jurídico.
"Pinochet não é um preso político - declarou a organização de direitos humanos - . Ele é acusado de crime de tortura, não de crime político".
A trabalhista Ann Clwyde, que encabeça o grupo parlamentar de direitos humanos, definiu como "detestável" o fato de que "uma ex-primeira-ministra britânica apóie um homem acusado de crimes tão horríveis".
Outro trabalhista, Jeremy Corby, ativista em campanhas de solidariedade com exilados chilenos, disse que foram dadas a Pinochet "todas as oportunidades em um processo judicial, algo que nunca foi concedido às 4.000 vítimas de seu reinado de terror", de 1973 a 1990.
A imprensa britânica dividiu-se hoje nas reações à defesa de Thatcher, que disse que seu país deve muito a Pinochet pela ajuda que prestou em 1982 na guerra contra a Argentina pelas Ilhas Malvinas.
"Thatcher a hipócrita" foi a manchete de hoje do jornal The Guardian, enquanto que o daily Telegraph, ao contrário, adotou o ponto de vista da ex-primeira ministra conservadora.

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