Anistia cobra apuração de ameaças
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quinta-feira, 07 de setembro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
A organização não-governamental (ONG) Anistia Internacional divulgou ontem comunicado cobrando a ação imediata das autoridades governamentais brasileiras na investigação e proteção às vítimas de ameaças de um suposto grupo neonazista. Nesta semana, um funcionário da Anistia Internacional e outro da Associação da Parada do Orgulho GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgênero) de São Paulo receberam pacotes-bomba.
Também no começo da semana foram enviadas cartas-bomba a entidades de defesa dos direitos humanos sediadas em São Paulo.
A ONG disse que incidentes como esse estavam por acontecer, devido à falha da polícia em investigar e encontrar os responsáveis pelas ameaças feitas anteriormente. A Anistia diz que a falta de uma resposta adequada do Estado de São Paulo e do governo federal permitiu o surgimento dessa campanha de ódio.
Ontem, o governador de São Paulo, Mário Covas, recusou ajuda federal para prender os responsáveis pelos atentados. A Polícia Federal não está mais habilitada do que a Polícia de São Paulo, disse. O governador descartou a criação de uma divisão da polícia especializada em repressão ao terrorismo. Não vejo necessidade.
Covas reclamou da atuação da PF, principalmente no combate ao contrabando de armas e drogas nas fronteiras do País. O armamento que você vê na mão de bandido não é fabricado no Brasil. Entra como contrabando.
Segundo ele, a falta de controle sobre o contrabando é uma das principais razões da violência no Estado. Eu gostaria que a PF impedisse o contrabando de tóxicos ou de arma na divisa. Se fizer esse serviço, dá uma ajuda para São Paulo enorme, porque acaba com a droga e com grande parte da violência, criticou.
O apoio da PF havia sido oferecido pelo ministro da Justiça, José Gregori.
Apesar das ameaças dos skinheads, o feriado de 7 de setembro foi calmo. O grupo havia prometido dar início a uma ofensiva contra negros, nordestinos e homossexuais na capital. Apenas um grupo de punks fez uma manifestação no centro de São Paulo, em protesto contra os atentados e dizendo ser contra a discriminação e a violência. Eles atearam fogo em uma bandeira do Brasil. Entre os slogans, o grupo dizia que skinhead bom é skinhead morto.


