Ter um animal de estimação, como cachorro, gato, coelho e até cavalo pode ser benéfico à saúde e ajudar no tratamento de doenças físicas ou mentais. Essa é uma das conclusões de especialistas reunidos na 9 Conferência Internacional sobre Interações Homem-Animal, no Rio.

A utilização de animais em terapias é defendida pelo americano Dennis Turner, professor da faculdade de veterinária da Universidade de Zurique, na Suíça, que há pelo menos dez anos tenta convencer autoridades governamentais a investir em programas de tratamento com animais e em pesquisas sobre o assunto.

Segundo Turner, fundador da Associação Internacional das Organizações de Interação Homem-Animal, e outros especialistas no assunto, animais podem atuar como terapeutas para crianças, jovens infratores, idosos, deficientes físicos e mentais e até casais em crise conjugal.

''A simples presença de um bicho de estimação em casa previne doenças psicológicas, como depressão, solidão e ansiedade, e até problemas cardíacos, uma vez que os passeios diários com o animal obrigam o dono a praticar exercícios'', explica o professor.

Os animais também são recomendados para crianças, de acordo com ele, porque contribuem para o aumento da auto-estima, melhoram sua integração na sala de aula, incentivam o contato social com outras crianças, aumentam a capacidade de aprender e diminuem a agressividade.

A teoria de Turner é a mesma de outros especialistas reunidos na conferência. Alguns deles são tão obstinados que chegaram a levar seus próprios bichos de estimação para assistir às palestras -quatro cães estavam presentes no auditório.

A psicoterapeuta suíça Ursula Thommen, do Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Basle, é uma das defensoras do uso de animais no tratamento de deficientes físicos. Ela afirma que a Hipoterapia, que utiliza cavalos para tratar pessoas com algum tipo de deficiência física ou motora, pode ser mais eficiente do que uma fisioterapia comum. E citou exemplos de pacientes com esclerose múltipla ou paralisia cerebral que, após serem tratados com os cavalos, tiveram melhoras significativas de seus movimentos e deixaram de reclamar das fortes dores que sentiam.

A psicoterapeuta Nadine Fossier-Varney, coordenadora do Centro Geriátrico da Cruz Vermelha Francesa, decidiu utilizar seu cachorro de estimação no tratamento de idosos com distúrbios de comportamento e portadores do mal de Alzheimer.

O tratamento foi introduzido após inúmeras tentativas de terapias alternativas e do uso dos mais diversos psicotrópicos. ''A presença do cachorro funciona como uma ponte nos casos em que o médico não consegue se aproximar do paciente. Ele transmite proteção e confiança. O doente passa a querer cuidar do animal e, para isso, tem de controlar a agressividade'', explica a médica.

Em todos os casos, o animal, além de interromper os danos físicos ao paciente, contribui para a socialização do doente. Ele recupera a capacidade de comunicação e estimula a participação de atividades em grupo.

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