Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Animais maltratados, magros, doentes e sem condições de trabalho estão sendo usados em serviços diários por carroceiros de Maringá. A maioria dos cavalos transporta peso acima do suportável e apresenta problemas nos cascos, que inflamam e podem até apodrecer sem tratamento adequado.
O veterinário Luis Gilson Esper chega a atender, de graça, cinco animais por mês, a maioria desnutrida. ‘‘A hipoglicemia é um problema comum porque os cavalos trabalham muito e não recebem alimentação adequada’’, diz.
A nutrição necessária nesses casos, segundo Esper, deveria ser rica em calorias, com uma mistura de grãos e massa verde, como capim. ‘‘Os animais chegam em meu consultório em estado deplorável por causa do excesso de trabalho e a falta de alimento. Muitos carroceiros dão apenas capim ou farelo de milho, alguns até carunchados, com baixo teor protéico. Eu recomendo um pouco de açúcar cristal diariamente para repor as energias e o cavalo já apresenta melhoras’’.
O veterinário, que exerce a profissão há 32 anos, afirma que são os carroceiros jovens que maltratam os animais. ‘‘Os mais antigos tratam bem dos cavalos. Os novos exigem demais dos animais, sem se preocupar com o estado deles’’. Outros problemas, decorrentes de muito trabalho diário, são as luxações e traumas musculares.
A questão dos menores condutores é bastante alarmante para o presidente interino da Sociedade Protetora dos Animais de Maringá, Dorotheu Gonçalves da Silva. Ele afirma que os garotos não têm qualquer preocupação com sua própria segurança, não cuidam corretamente do animal e nem verificam se ele está em boas condições físicas para continuar transportando peso diariamente. Silva não adiantou se a sociedade pretende tomar alguma atitude para diminuir as ocorrências de maus-tratos.
Trabalhando há 10 anos com carroças, W.S, de 14 anos, recolhe papelão sozinho no centro da cidade. A égua, bastante magra e com vários ferimentos foi, segundo ele, comprada na segunda-feira por R$ 150,00. ‘‘Por isso é que ela está tão magrinha, ainda não deu tempo para engordar’’, argumentou. O garoto afirmou que os antigos donos batiam no animal com fio de aço. ‘‘Ela está bastante machucada, mas meu pai vai cuidar dela’’, prometeu.
O carroceiro Sílvio Leandro da Silva, 18 anos, tem três cavalos para fazer ‘‘carreto’’, mas apenas o que está trabalhando é que recebe comida. ‘‘Eu dou milho. Uma saca (de 60 quilos) dá para três meses. Os outros, que ficam descansando, comem apenas capim’’, diz. Ele trabalha diariamente durante oito horas transportando entulhos e afirma que o cavalo ‘‘aguenta o tranco’’ . ‘‘Este que estou usando hoje comprei há um mês e até agora não deu problemas. Ele está magro, mas está bom para o serviço’’, completa.

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