Aníbal recua e firma acordo com MST
Luciana Pombo
e Israel Reinstein
De Curitiba
O governador em exercício, deputado Aníbal Khury (PFL), acabou não cumprindo a promessa de desocupar a praça Nossa Senhora da Salete, no Centro Cívico. Mesmo com a obtenção de uma liminar respaldando o ato, Khury recuou e firmou um acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que se comprometeu a suspender as construções de novos barracões de madeira no local.
Além disso, ficou estabelecido que o MST, governo estadual e Assembléia Legislativa deverão pressionar o governo federal para ampliar os assentamentos no Estado. No próximo dia 22, todas as forças vão sentar para conversar com o ministro Jungmann (Raul Jungmann, da Política Fundiária), que estará em Curitiba, afirmou Aníbal Khury. Em contrapartida, os acampados começam a restaurar a praça, a partir dessa quarta-feira. Também serão transferidas crianças e idosos da praça para a Casa Latino-Americana.
Ontem pela manhã, o governador em exercício e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), entraram na Justiça com um pedido de reintegração de posse da praça, onde cerca de 1.200 pessoas estão acampadas desde o dia 8 de junho. A medida foi tomada após a construção de barracos de madeira iniciada pelo MST. A construção destes barracos significa a permanência dos sem-terra e a favelização da praça, argumentou Anibal Khury, em coletiva ao meio-dia.
Para dar base ao pedido, os procuradores do Estado e município apoiaram-se no artigo 129 da Constituição Federal e na notificação administrativa expedida na sexta-feira pela Prefeitura de Curitiba, e encaminhada às principais lideranças do MST. Nesta notificação, determinei que os barracos de madeira fossem demolidos e que a construção fosse suspensa, afirmou o prefeito, que passou a manhã de ontem em reuniões no Palácio Iguaçu. No meio da tarde, por volta das 16 horas, o juiz Rui Bacellar, da 4ª Vara da Fazenda Pública, atendeu ao pedido.
Antes da liminar, Aníbal Khury aceitou conversar com as lideranças dos sem-terra, após a intermediação dos deputados Caíto Quintana (PMDB) e Ângelo Vanhoni (PT). A reunião aconteceu apenas às 15h30, com a presença de cinco líderes do MST, entre eles o coordenador Roberto Baggio, e o advogado da Comissão Pastoral da Terra, Darci Frigo.
Baggio informou a Khury que o acampamento é provisório. A nossa intenção é sair da praça, tão logo sejam atendidas as nossas reivindicações, disse. Os sem-terra querem recursos para assentar 9 mil famílias. Outra reivindicação é o repasse de R$ 150 milhões do governo federal, além da libertação de seis líderes do movimento.





